Capítulo 71
Nos dias seguintes, tudo pareceu entrar nos eixos. A rotina voltou ao normal, as aulas seguiram sem novos incidentes e, na fazenda, a vida corria com a tranquilidade de sempre. Mas nem todo silêncio era sinônimo de paz.
Numa noite de muita bebida e farra, Henrique estava cercado por alguns colegas, com música alta e o cheiro forte de álcool misturando-se ao rancor que ele carregava no peito.
- Tô de saco cheio do Thomas - disse, virando mais um gole.
Um dos garotos riu, debochado.
- Isso não é inveja?
Henrique virou o rosto devagar, com um olhar frio.
- Eu não preciso ter inveja de ninguém. Ele é que precisa sair do caminho... pra eu ficar com a Penélope.
Os outros se entreolharam, desconfortáveis, até que um deles resolveu falar, meio sem pensar:
- Meu pai trabalha naquela fazenda. Ele comentou de uma égua branca... Floco de Neve, eu acho. Parece que é do Thomas.
Henrique ergueu lentamente a cabeça. O álcool não apagou o brilho perverso que surgiu em seus olhos.
- Floco de Neve... - repetiu, como se saboreasse o nome.
Ele apoiou os cotovelos na mesa e deu uma risada baixa. O plano já estava formado. E, daquela vez, Thomas nem imaginava o que estava prestes a perder.
***
Na manhã seguinte, depois do café, Thomas convidou Penélope para dar uma volta a cavalo. No estábulo, Thomas selou o Fumaça, enquanto Penélope acariciava a Floco de Neve antes de colocar a sela. A égua branca parecia inquieta, batendo o casco no chão mais vezes do que o normal.
Após alguns minutos, Penélope franziu o cenho após montar na égua.
- A Floco de Neve está estranha... parece agitada.
Antes que Thomas pudesse responder, a égua relinchou alto e disparou.
- THOMAS! - Penélope gritou desesperada.
Thomas montou no Fumaça e partiu atrás dela o mais rápido que conseguiu. Ele tentava diminuir a distância entre os dois cavalos.
Na curva fechada perto da cerca, a Floco de Neve freou de repente e empinou. Penélope perdeu o equilíbrio e caiu no chão.
- Não! - Thomas gritou, puxando as rédeas.
Ele desmontou ainda em movimento e correu até ela. Ajoelhou-se ao seu lado.
- Princesa... - sussurrou, tocando-lhe o rosto com cuidado. Ela não reagiu. - Penélope...
***
Maurício correu em direção ao estábulo assim que ouviu os gritos.
- O que aconteceu? - perguntou, ofegante ao Billy.
- Eu... eu não sei - respondeu assustado.
Naquele instante, Zacky, que acabou de chegar da cidade e ainda descia do carro em frente à casa, também ouviu os gritos. Sem perder tempo, ligou o veículo novamente e foi até onde Maurício estava.
- Vamos ver o que houve. Entra! - ordenou.
Quando chegaram, a cena fez o estômago de Zacky gelar.
Thomas estava ajoelhado no chão, ao lado de Penélope caída. O Fumaça permanecia alguns metros atrás, inquieto, enquanto a Floco de Neve andava em círculos, relinchando nervosa.
- Meu Deus... - murmurou Maurício, saltando do carro.
Zacky desceu num pulo e correu até o filho.
- Thomas! O que aconteceu?
O garoto ergueu o rosto, com os olhos cheios de pânico.
- Ela... a Floco de Neve disparou do nada. Ela caiu, pai... não acorda.
Zacky se ajoelhou ao lado de Penélope com cuidado, colocou dois dedos no pescoço dela e respirou aliviado ao sentir o pulso.
- Ela está viva. Não podemos mexer nela.
Maurício estava com o celular na mão.
- Vou chamar a ambulância.
- Chama - confirmou Zacky.
Zacky tirou o próprio casaco e, com cuidado extremo, colocou sobre Penélope para protegê-la do frio. Passou a mão pelos cabelos dela.
- Aguenta firme, menina... - murmurou.
Thomas tremia inteiro. Zacky o puxou para perto e o abraçou com força, mantendo o olhar atento em Penélope.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Temido Cowboy: Que salvou minha vida