Capítulo 72
As horas seguintes foram as mais tristes já vividas naquela fazenda desde o dia em que Zacky perdeu os pais. A dor se espalhou como um luto coletivo.
Andréia não suportou. Desmaiou ainda no local e precisou ser levada às pressas para o hospital. Os médicos a sedaram imediatamente, o choque emocional colocava em risco a gravidez. A prioridade era salvar o bebê que ela ainda carregava.
Enquanto isso, com o coração despedaçado, Maurício assumiu o que restava fazer. Engoliu o choro, reuniu forças onde não havia mais nenhuma e correu para providenciar um funeral digno para a filha.
No velório, Thomas não se afastou do caixão em momento algum. Permanecia ali, em silêncio, como se o mundo tivesse parado. Quando avisaram que o caixão seria fechado, ele se aproximou lentamente, segurou a mão fria de Penélope pela última vez e sussurrou, com a voz quebrada:
— Nunca mais vou amar ninguém…
Os coveiros fecharam o caixão. Thomas acompanhou cada passo até o enterro. A única ausência naquele momento foi a de Andréia.
Ainda no cemitério, enquanto a terra cobria o caixão, Zacky se aproximou de Maurício e falou tão baixo que só ele pôde ouvir:
— Eu vou descobrir quem fez isso…
Maurício não respondeu. Apenas assentiu, com os olhos vazios, sem forças até para sentir ódio.
À noite, eles voltaram para casa em silêncio. A fazenda, antes viva, parecia um lugar estranho, mergulhado em luto.
***
Enquanto isso, do outro lado da cidade…
Vargas estacionou o Mercedes na garagem e entrou em casa. Cumprimentou a esposa com um beijo rápido e caminhou até a sala.
— Fiquei sabendo do acidente na fazenda dos Carter — comentou, tirando o paletó. — Lamentável…
A esposa não respondeu de imediato. Estava sentada, com o rosto pálido e os olhos inchados de tanto chorar.
— Você não sabe a pior parte, querido — disse, enfim, com a voz trêmula.
Vargas franziu a testa.
— Como assim?
Ela levantou o olhar, as lágrimas descendo livremente pelo rosto.
— Foi o nosso filho…
Silêncio.
— O quê? — Vargas não esperou mais explicações. Seu rosto se transformou num segundo. — HENRIQUE!
O garoto desceu as escadas correndo, assustado.
— Pai, eu… — começou.
O tapa ecoou pela casa antes que ele pudesse terminar a frase. Henrique cambaleou para o lado, levando a mão ao rosto.
— Não diga uma palavra — Vargas rosnou, apontando para as escadas. — Suba agora. Faça suas malas. Você sai desta casa ainda hoje.
Henrique engoliu seco e obedeceu, sem ousar olhar para trás. A esposa continuava chorando, em silêncio, destruída.
Vargas virou-se para ela, com a expressão dura.
— Você não vai contar isso a ninguém — disse em tom de ordem.
— O que você vai fazer? — perguntou ela, entre soluços.
Ele pegou o celular e se afastou alguns passos.
— Júlio César, preciso de um jatinho disponível agora. (…) Ótimo. Estarei aí em uma hora.

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