Capítulo 77
Enquanto tomavam café com o bolo que Cláudio havia feito, a conversa fluía. Em um determinado momento, Zacky apoiou a xícara no pires e perguntou, direto:
- Vocês voltaram para ficar?
Maurício trocou um olhar rápido com Andréia antes de responder:
- Podemos?
Zacky abriu um sorriso sincero.
- É claro. A casa de vocês está do mesmo jeito que deixaram. Mandei pintar, está limpa e arejada. Sempre acreditei que um dia vocês voltariam.
Maurício assentiu, visivelmente emocionado.
- Obrigado, irmão.
Assim que terminaram o café, entraram nos carros e seguiram até a casa na colina. O lugar parecia parado no tempo, mas era acolhedora. O cheiro de limpeza recente misturava-se ao da madeira antiga.
Enquanto arrumavam as roupas no guarda-roupa, Andréia percebeu a filha se sentar na beirada da cama, levando a mão ao estômago e fechando os olhos por um instante.
- O que foi, minha querida? - perguntou, aproximando-se.
Juliana respirou fundo antes de responder:
- Acho que meu estômago está delicado.
Andréia franziu levemente a testa, observando-a com atenção, sentindo que havia algo além daquele simples mal-estar.
- Deite um pouco, meu amor. Até amanhã você estará melhor.
Depois que terminou de arrumar as roupas, Juliana tomou um banho demorado e, em seguida, se deitou. Tudo ali era novo, estranho... e ao mesmo tempo extremamente aconchegante.
Ela fechou os olhos, tentando ignorar o enjoo que insistia em ir e voltar. Não queria estar passando mal, mas não havia como fingir que nada estava acontecendo. Era só questão de tempo.
Mais cedo ou mais tarde, a gravidez iria se revelar. E ela ainda não tinha contado nada aos pais.
Antes de fechar os olhos, Juliana virou o rosto e observou a fotografia apoiada sobre o criado-mudo. Penélope tinha apenas quinze anos na imagem, sorrindo para a câmera, enquanto o namorado a abraçava por trás. Ele usava um chapéu que escondia parte do rosto, deixando apenas o contorno forte do maxilar visível.
Thomas.
Juliana sentiu um aperto estranho no peito. Em breve, conheceria aquele homem que havia sido o grande amor da irmã. Ela respirou fundo e se deixou levar pelo sono.
A mãe permitiu que dormisse o dia inteiro. No início da noite, acordou Juliana com cuidado, insistindo para que tomasse um caldo quente antes de voltar para a cama.
Mais tarde, na sala, Andreia comentou com o marido, em voz baixa:
- Ela não está muito bem.
Maurício deu de ombros, tentando tranquilizá-la.
- Deve ter sido a viagem longa. Faz qualquer um enjoar.
Andreia não respondeu. Apenas olhou em direção ao corredor, com um pressentimento que não soube explicar.
No dia seguinte, ainda antes do amanhecer, Thomas precisou assumir o volante do caminhão carregado de laranjas. O motorista acordou passando mal, e não havia tempo a perder: a entrega no CEASA não podia atrasar. Ele saiu com o céu ainda escuro.
Às sete em ponto, a casa estava desperta. Aos poucos, todos foram se reunindo na área gourmet para o café da manhã. O cheiro de pão fresco e café passado se espalhava pelo ambiente.
- Onde está o Thomas? - perguntou Andréia, olhando em volta, estranhando a ausência.
- Ele teve que ir ao CEASA - respondeu Zacky. - Mais tarde ele volta.
- Queria apresentá-lo à Juliana - comentou ela, com um leve sorriso.
A conversa continuou por mais alguns minutos. Juliana, estava sentada à mesa, quieta demais. O rosto pálido, a mão apoiada discretamente no estômago.
De repente, ela empalideceu ainda mais.
- Com licença... - murmurou, levantando-se às pressas.
Não deu tempo de chegar longe. Ela saiu correndo e acabou vomitando logo na entrada da área gourmet. O som fez a conversa cessar imediatamente.
- Juliana! - Andréia se levantou assustada, indo até a filha.
Dolores também se aproximou, oferecendo um copo d'água, enquanto Maurício observava em silêncio, preocupado.
Juliana limpou a boca com o dorso da mão, envergonhada, respirando com dificuldade.

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