Capítulo 78
- Juliana... - disse Andréia, com a voz trêmula. - Você está dizendo que o pai desse bebê é... o Thomas?
As pernas de Juliana fraquejaram. Ela se apoiou na mesa, sentindo o estômago revirar de novo, mas agora não era só o enjoo da gravidez. Era o choque.
- Ele... ele era um cowboy - disse, tentando organizar as lembranças. - Alto, forte... olhos claros... - a voz morreu na garganta quando percebeu os olhares confirmarem tudo. - Meu Deus...
Zacky passou a mão pelo rosto.
- É ele - afirmou, num fio de voz. - Só pode ser.
Juliana sentiu o peito apertar com força.
- Eu não sabia - disse rápido, desesperada. - Eu juro que não sabia quem ele era. Se soubesse... nunca teria... Não teria acontecido.
Andréia a puxou para um abraço apertado.
- Calma, minha filha. Isso não é culpa sua.
- Thomas sabe disso? — Maurício perguntou, sério.
Ela balançou a cabeça negativamente.
- Não. Eu fui embora antes dele acordar. Nem cheguei a vê-lo de novo.
- Ele precisa saber - disse Zacky. - E vai saber.
Conhecer o homem com quem passara aquela noite já era assustador. Descobrir que ele foi o grande amor da irmã... e agora, o pai do seu filho...
Isso mudava tudo.
Horas depois, Juliana saiu do quarto após um banho refrescante. A gravidez ainda a enjoava, o estômago estava sensível demais, mas naquele momento se sentia um pouco melhor.
Na sala, seus olhos foram direto para o porta-retrato sobre o aparador. A foto antiga da irmã, ainda adolescente, sorria abraçada a Thomas. Ele usava um chapéu que escondia parte do rosto, mas agora Juliana conseguia reconhecê-lo com clareza. Era ele.
Suspirou, com o coração apertando.
Além de grávida… estava apaixonada.
E isso era o pior de tudo.
Justo por ele. O homem que sempre quis conhecer para se sentir mais próxima de Penélope, para ouvir histórias e entender quem a irmã amava tanto. Nunca imaginou que esse encontro aconteceria daquela forma, torta, intensa e cheia de consequências.
Agora precisava encarar a dura realidade.
Tudo fazia sentido demais.
Naquela noite, ele a tinha confundido com alguém. O jeito como a olhava, como a beijava… havia algo diferente, quase desesperado. Talvez tivesse transado com ela carregando lembranças, saudade, dor. Talvez, por alguns instantes, ela tivesse sido Penélope para ele.
O pensamento doeu mais do que deveria.
— Ah, Deus… — murmurou, passando a mão pelo rosto, sentindo os olhos marejarem.
Respirou fundo, tentando se recompor.
— Mãe, vou andar um pouco — avisou, com a voz baixa.
— Tudo bem, meu amor — respondeu Andréia, observando-a da cozinha. — Mas não vá longe. Acho que vai chover.
Juliana assentiu e saiu.
O ar do fim de tarde estava mais fresco. Caminhou devagar pelo terreno, tentando organizar pensamentos que insistiam em se atropelar.
Um filho.
Um homem marcado pelo passado.
Uma irmã que não estava mais ali...
E um amor que nascia condenado a ser complicado. Colocou a mão no ventre ainda plano.
— Você não tem culpa de nada — sussurrou, mais para si mesma do que para o bebê.
Ao longe, escutou o som de um motor que se aproximava da estrada de terra. Juliana parou de andar.
O coração acelerou. Thomas estava voltando.
Ela respirou fundo, enxugou as lágrimas com o dorso da mão e continuou andando, afastando-se da casa. Precisava de espaço. De silêncio. De alguns minutos para não desabar na frente de ninguém.

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