Naquela noite, Eduardo chegou ao hospital e encontrou os familiares de Helena na sala de espera VIP. Com quadro de Clara só se agravando, apenas uma pessoa por vez poderia fazer companhia a Clara.
Após cumprimentar a todos com um leve aceno de cabeça, se dirigiu a Renato que estava sentado com a cabeça baixa com visível sinal de preocupação. Assim que viu Eduardo, ele se levantou.
— Senhor Eduardo. — Cumprimentou com respeito. Como sabiam do casamento dele com a sobrinha, eram como estranhos.
— Como vai a senhora Clara?
— Infelizmente, seu quadro, apesar de estável, é grave.
— Entendo. E Helena?
— Está com ela. O senhor veio buscá-la?
— Ela precisa descansar, já faz três dias que não sai do hospital.
Glória ouviu eles conversando e se aproximou
— Eu vou dizer que o senhor está aqui.
Eduardo então ficou em pé e o silêncio reinou entre eles. Alguns minutos se passaram e Helena apareceu, estava visivelmente abatida e mais magra.
— Eduardo. — Disse se aproximando.
— Vim te buscar.
Helena ficou surpresa, ela não queria deixar a mãe, temendo não estar presente quando chegasse a hora. Eduardo estendeu vendo o olhar vago dela.
— Querida, vá com ele. — Disse Glória. — Você precisa descansar, essa noite eu vou ficar com ela.
— Isso mesmo. — Disse Bianca. — Descanse e amanhã você volta.
— Tudo bem, mas qualquer coisa por favor me liguem.
— Pode deixar.
Helena acompanhou Eduardo até o carro, naquela noite ele mesmo dirigia.
— Você já jantou?
— Não,
— Vou te levar para jantar.
Helena não respondeu, apenas aceitou. Ele a levou a um restaurante discreto, nada de muito luxuoso, era aconchegante e a comida era boa, por isso Helena conseguiu comer um pouco melhor. Durante o jantar fizeram a refeição em silêncio.
Quando chegaram em casa, Eduardo abriu a porta e voltou para ela.
— Suba e descanse bem essa noite.
— Está bem.
Ele a olhou por um instante, percebendo que ela estava frágil demais. Por um momento sentiu vontade de abraçá-la e confortá-la, talvez fosse isso que ela esperava dele, mas ele se conteve.
— Boa noite.
Helena caminhou até a escada lentamente e começou a subir os degraus sob o olhar atento de Eduardo.
*****
Na manhã seguinte, Helena acordou cedo. Apesar do desgaste dos últimos dias, conseguira dormir melhor naquela noite e sentia-se um pouco mais descansada.
Ao descer para o café da manhã, encontrou apenas Eduardo à mesa. Assim que a viu, ele ergueu os olhos. A frieza habitual não estava ali, mas a distância entre eles permanecia.
— Bom dia. Dormiu bem?
Helena puxou uma cadeira e se sentou.
— Sim. Obrigada.
Eduardo assentiu e voltou sua atenção para a xícara de café. O silêncio predominou durante a refeição.
Eduardo terminou de comer primeiro. Normalmente, já teria se levantado e ido embora, mas permaneceu sentado, consultando algumas informações no celular e respondendo mensagens relacionadas ao trabalho.
Quando percebeu que Helena também havia terminado, ergueu os olhos.
— Vou te deixar no hospital.
Helena piscou, surpresa.
— Não precisa. Xavier pode me levar.
Eduardo guardou o celular, levantou-se e pegou o paletó que estava sobre a cadeira.

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