— Helena...
A voz saiu tão baixa que quase não foi possível ouvi-la. Helena correu até a cama e segurou sua mão.
— Mãe...
As lágrimas escorriam sem controle.
— Eu estou aqui.
Clara apertou seus dedos com a pouca força que ainda possuía.
— Não chore, meu amor.
Isso apenas fez Helena chorar mais.
— Você não vai me perder. — Clara ergueu a mão com dificuldade e acariciou seu rosto. — Eu apenas vou para casa antes de você.
Helena fechou os olhos.A dor em seu peito era insuportável.
— Não fala assim.
— Escute sua mãe. — A voz saiu firme apesar da fraqueza. — Deus foi bom comigo durante toda a minha vida.
Helena abaixou a cabeça.
— E continuará sendo bom com você.
As lágrimas escorriam sem parar.
— Quando eu não estiver mais aqui, Ele estará.
Clara respirou lentamente. Cada palavra parecia exigir um esforço enorme.
— Não perca sua fé. Não deixe a dor endurecer seu coração.
Helena assentiu.
— Às vezes não entendemos o que nos acontece, mas saiba que sempre há algo de bom que Deus pode tirar de nossos sofrimentos.
Clara sorriu.
— Você é mais forte do que imagina e não ficará sozinha.
Helena segurou sua mão com mais força.
— Mãe...
— Deus cuidará de você.
As lágrimas escorriam pelo rosto das duas.
— Como sempre cuidou de mim.
Clara fechou os olhos por alguns segundos, reunindo forças. Quando voltou a abri-los, seu olhar parecia mais distante, mas ainda carregava amor.
— Eu tenho tanto orgulho de você, Helena.
Aquelas palavras quebraram o que restava da resistência dela. Helena abaixou a cabeça sobre a mão da mãe e chorou como uma criança.
Clara apenas permaneceu acariciando seus cabelos lentamente, como fizera durante toda a vida. Como uma mãe que, mesmo prestes a partir, ainda encontrava forças para consolar a própria filha.
Helena continuava com a cabeça apoiada sobre a mão da mãe, as lágrimas não paravam de cair.
Por alguns instantes, o quarto permaneceu em silêncio, interrompido apenas pelo som constante dos aparelhos.
Então Clara voltou o olhar para a porta.
— Renato...
A voz saiu tão fraca que quase se perdeu no ambiente. Helena ergueu a cabeça, ao se virar, viu o tio parado próximo à entrada.
Ele também chorava, tentava disfarçar. Mas não conseguia, durante toda a noite havia sido forte por todos. Por Helena, pelos pais idosos e pela própria família.
Mas naquele momento não era apenas um homem tentando ser forte. Era um irmão prestes a perder a irmã mais nova que ele sempre protegeu.
— Entra, Renato. — sussurrou Clara.
Ele aproximou-se devagar, como se cada passo fosse doloroso. Quando chegou ao lado da cama, segurou a outra mão da irmã, durante alguns segundos, nenhum dos dois conseguiu falar.
As lembranças pareciam passar pelos olhos de ambos. A infância, as brincadeiras, uma vida inteira compartilhada.
— Você sempre foi teimosa. — disse Renato por fim, tentando sorrir através das lágrimas.
Clara soltou uma leve risada.
— E você sempre foi mandão.
Os dois sorriram, um sorriso triste, mas cheio de amor.
— Obrigado. — disse Renato.
Ela franziu levemente a testa.
— Pelo quê?
— Por tudo.
A voz dele falhou.
— Por ter sido minha irmã.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Proibida de Amar Meu Marido