Naquela noite, Eduardo não voltou para casa, permaneceu no hospital durante toda a madrugada.
Helena também quase não dormiu.
Por mais que tentasse se convencer de que Eduardo estava apenas fazendo o que qualquer pessoa faria, a imagem dele carregando Viviane nos braços insistia em voltar à sua mente.
Quando o dia finalmente amanheceu, ela pegou o celular e ficou observando a tela. Nunca havia ligado para Eduardo antes.
Seu dedo pairou sobre o contato por alguns segundos antes que ela reunisse coragem e pressionasse o botão de chamada. Eduardo atendeu no segundo toque.
— Alô.
A voz dele surgiu do outro lado da linha, rouca e cansada. Helena imaginou que ele não tivesse dormido nem um minuto.
— Eduardo... como ela está?
Houve um breve silêncio.
— A cirurgia terminou há pouco. Ela já está no quarto e está sedada.
Helena soltou o ar que nem percebebera estar prendendo.
— E os médicos?
— Disseram que ela está fora de perigo.
— Ainda bem.
Ela ouviu um leve ruído do outro lado da linha, como se Eduardo estivesse passando a mão pelo rosto.
— Você deveria descansar — disse ela em voz baixa.
— Ela levou uma facada que era para mim, Helena. — As palavras vieram carregadas de exaustão. — Eu não posso simplesmente deixá-la aqui sozinha antes que acorde.
Helena fechou os olhos por um instante.
— Entendo — respondeu por fim.
Do outro lado da linha, o silêncio se instalou, um silêncio estranho, cheio de coisas que nenhum dos dois sabia como dizer.
— Obrigado por ligar. — A voz de Eduardo surgiu mais suave dessa vez.
Helena sentiu o coração vacilar.
— Me avise se houver alguma mudança.
Depois de mais alguns segundos, a ligação foi encerrada. Helena permaneceu olhando para a tela apagada do celular.
*****
No hospital…
Assim que encerrou a ligação, o celular voltou a tocar.
Desta vez, era Olívia.
Eduardo atendeu imediatamente.
— Eduardo, meu filho, o que aconteceu? — A voz da mãe estava carregada de desespero. — Você está bem?
Desde as primeiras horas da manhã, diversas pessoas que haviam participado da festa entravam em contato para saber como ele estava. Até então, Olívia e Gilberto desconheciam a gravidade do ocorrido.
Mas alguém lhes enviara um dos vídeos. Ao assistir às imagens, Olívia ficou profundamente abalada. Gilberto precisou ampará-la, e ela só conseguiu se acalmar parcialmente depois de decidir ligar para o filho.
— Sim, mãe. Eu estou bem.
Apesar do tom tranquilo de Eduardo, a resposta não foi suficiente para acalmar seu coração.
— Meu filho... é verdade que tentaram te matar? — Sua voz vacilou. — Meu Deus, por quê?
— Ainda não sabemos quem foi, mas estou bem. Não precisa se preocupar.
— Como não vou me preocupar? — retrucou ela, com a voz embargada. — Eu vi o vídeo, Eduardo.
Ele fechou os olhos por um instante, não havia como amenizar aquilo.
— Foi aquela... aquela mulher que te salvou?
A mudança no tom de Olívia foi perceptível, não havia hostilidade. Apenas uma amarga resignação.

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