O homem que entrou deveria não deveria ter mais que quarenta anos, vestia um terno escuro impecável e carregava um tablet em uma das mãos. Tinha a postura discreta e segura de quem estava acostumado àquele ambiente e, mais do que isso, à rotina exigente de alguém como John Walker.
— Senhor Monteiro. — Ele cumprimentou Eduardo com um aceno respeitoso, estendendo a mão em seguida. — Como vai? Peço desculpas pela espera. O senhor Walker está finalizando uma ligação e me pediu para conduzi-los à sala de reunião. Ele estará conosco em instantes.
Eduardo apertou a mão dele com firmeza. Era Bruce, o assistente pessoal de John Walker.
— Sem problema.
Bruce voltou-se para Murilo, cumprimentando-o com a mesma educação, sem a condescendência que muitos costumavam demonstrar com assistentes ou subordinados. Depois indicou o caminho com um gesto sóbrio.
— Por favor, me acompanhem.
Murilo levantou-se em silêncio, pegando o tablet. Enquanto seguiam Bruce pelo corredor amplo, observou o homem à frente com discrição. Havia nele uma eficiência quase precisa demais. Não caminhava com pressa, mas também não desperdiçava movimentos. Pelas reuniões anteriores, Murilo tinha a impressão de que Bruce não era apenas alguém encarregado de organizar agenda e documentos. Parecia ocupar um lugar maior.
Ao entrarem na sala de reunião, os altos executivos já estavam todos lá concentrados nos documentos à frente dele, ao verem Eduardo entrar o cumprimentaram com a formalidade devida a um grande empresário.
Bruce aguardou que ambos se acomodassem e então distribuiu pessoalmente algumas pastas sobre a mesa.
— Aqui está a versão mais recente da minuta com as últimas observações do senhor Walker. Ele pediu que os senhores tivessem acesso antes de começarmos.
Murilo lançou um olhar rápido para o documento e percebeu que algumas anotações laterais estavam feitas à mão, com observações objetivas. Antes que pudesse folhear mais, Bruce acrescentou:
— O senhor Walker provavelmente insistirá no ajuste referente à operação da filial europeia e à cláusula de supervisão estratégica. Sugiro atenção especial a esses dois pontos.
Murilo ergueu os olhos para ele, surpreso. Não era um comentário casual de alguém que apenas servia de ponte entre a presidência e os convidados. Bruce falava como quem conhecia a fundo o raciocínio de John Walker, como se já antecipasse cada movimento da negociação.
— Obrigado. — disse Eduardo, recebendo a informação sem demonstrar surpresa, embora tivesse notado a precisão do outro homem.
Bruce apenas assentiu.
— Se precisarem de qualquer coisa, estou à disposição.
Ele se afastou alguns passos, mas não deixou a sala. Permaneceu próximo à extremidade da mesa, revisando no tablet algo que provavelmente dizia respeito à reunião, atento sem ser invasivo.
Murilo observou tudo em silêncio. Sentado um pouco atrás de Eduardo, na sua posição de assistente.
Não apenas a eficiência de Bruce, mas a forma como sua presença parecia integrada à dinâmica da presidência. Não havia afetação, nem excesso de intimidade, mas tampouco a frieza de um funcionário comum. Bruce se movia com a segurança de quem conhecia o funcionamento daquele império por dentro e, mais do que isso, de quem tinha a confiança do homem que o comandava.
A porta se abriu novamente. Desta vez, John Walker entrou.
John Walker estava impecável em um terno de três peças sob medida. Alto e altivo, tinha traços marcantes e uma presença naturalmente imponente. Os cabelos negros, já salpicados por discretos fios prateados nas têmporas, apenas reforçavam o charme maduro e másculo de um homem no auge. Caminhava com passos firmes, seguro de si, irradiando a autoridade silenciosa de quem estava acostumado a ser obedecido. Ao vê-lo entrar, Eduardo e Murilo se levantaram de imediato, assim como os demais presentes na sala.

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