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Proibida de Amar Meu Marido romance Capítulo 159

Murilo permanecia ao lado de Eduardo, segurando o tablet enquanto observava de relance o reflexo do chefe nas portas espelhadas.

Ao longo daqueles meses de viagens, reuniões e ajustes para consolidar a parceria entre o Grupo Monteiro e o Grupo Walker, ele aprendera a reconhecer os diferentes silêncios de Eduardo. Havia o silêncio concentrado de quem ainda calculava números e cláusulas; o silêncio impaciente, quando algo saía do controle; e havia aquele, mais raro, em que o chefe parecia mergulhado em pensamentos que iam além dos negócios.

Era esse o silêncio que pairava agora.

Quando chegaram ao térreo, foram conduzidos até o carro que já os aguardava na entrada do edifício. Assim que o motorista abriu a porta, Eduardo entrou primeiro. Murilo acomodou-se ao lado dele no banco traseiro, enquanto o carro deixava o Grupo Walker e seguia em direção ao hotel.

Durante alguns minutos, permaneceram em silêncio. Murilo abriu o tablet por hábito, revisando as anotações da reunião. Não era realmente necessário; os principais pontos já estavam organizados em sua cabeça, e ele sabia que Eduardo fazia o mesmo em silêncio. Ainda assim, aquela rotina mecânica lhe dava alguns segundos para ordenar os próprios pensamentos.

Não era a primeira vez que se reuniam com John Walker.

Ao longo de quase um ano, Eduardo e Murilo haviam atravessado fusos horários, países e agendas exaustivas para encontrar o empresário. Já o tinham visto em salas de conselho, em jantares estratégicos, em reuniões privadas e até em visitas técnicas a filiais.

Nesse período, Murilo aprendera duas coisas sobre John Walker: a primeira, que a fama de homem duro e implacável nos negócios era absolutamente verdadeira; a segunda, que por trás daquela frieza havia um homem cuja vida pessoal não ficava escondida em um cofre, como acontecia com tantos executivos do mesmo porte.

Em outras ocasiões, Murilo já o ouvira encerrar uma reunião alguns minutos mais cedo porque havia prometido comparecer a uma apresentação do filho. Já o vira receber uma ligação da esposa e atender sem a menor irritação, como se aquilo não ameaçasse sua autoridade diante de ninguém. Também já percebera, em pequenos detalhes, a maneira como John tratava Bruce Pratt, nunca como um simples subordinado, mas como alguém cuja presença e opinião tinham peso real.

Mas, naquela tarde, tudo pareceu mais nítido. Talvez porque o atraso de John Walker tivesse quebrado algo quase simbólico. Um homem conhecido pela pontualidade rigorosa, pelo controle quase obsessivo da agenda, atrasara-se porque a filha quis que ele assistisse a uma apresentação na escola.

E ele não só não escondera isso como falara a respeito com uma naturalidade desconcertante. Murilo fechou o tablet e finalmente quebrou o silêncio.

— O senhor Walker continua me surpreendendo.

Eduardo não tirou os olhos da paisagem urbana do lado de fora.

— Em que sentido?

A voz saiu neutra, baixa, mas Murilo percebeu que o chefe estava atento.

— Nós já o vimos em várias situações nesses últimos meses. — começou com cautela. — Já sabíamos que ele levava a família a sério. Isso não é exatamente novidade. Mas hoje… foi diferente.

Eduardo virou o rosto devagar e o encarou por um instante, como se o convidasse a continuar.

Murilo escolheu as palavras com cuidado.

— Acho que foi porque vi pela primeira vez quebrar a própria pontualidade sem disfarçar. Ele simplesmente aceitou o atraso como consequência de ter escolhido estar com a filha naquele momento.

Eduardo sustentou o olhar dele por um segundo e depois voltou a fitar a rua.

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