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Proibida de Amar Meu Marido romance Capítulo 160

Não era como se John Walker tivesse se tornado, de repente, um mistério para ele. Eduardo já o observava havia meses. Já ouvira comentários sobre Elizabeth, sobre os filhos, sobre o hábito quase sagrado de jantar em casa sempre que estava na mesma cidade que a família. Já o vira sair mais cedo de uma reunião em Nova York porque o filho estava doente. Já notara, em outras ocasiões, que o semblante frio do empresário mudava de forma perceptível quando a esposa era mencionada.

Mas uma coisa era saber disso como informação.

Outra era testemunhar, mais uma vez e agora de forma tão explícita o peso real que aquela família tinha na vida de John Walker.

O homem mais temido naquela negociação, capaz de endurecer uma cláusula até o limite, de desmontar uma proposta em poucos minutos e de fazer executivos experientes suarem numa sala de reuniões, atrasara-se porque a filha quis que ele participasse de uma apresentação.

E, ao falar da esposa ao telefone, a frieza dele se desfizera por um instante de um jeito impossível de fingir.

Eduardo passou a mão pelo maxilar, incomodado. Porque, sem querer, começou a comparar, não John a ele, como empresário, mas John a ele, como homem.

Helena surgiu em sua mente de forma imediata. O incômodo em seu peito se aprofundou.

Ao longo daqueles meses fora do Brasil, ele raramente se permitiu pensar nela por muito tempo. Quando a lembrança surgia, o perfume, a voz, a imagem do corpo dela envolto na camisola de seda, o calor de sua pele contra a dele naquelas noites no sítio, ele empurrava tudo para o fundo da consciência e voltava ao trabalho. Era mais fácil assim. Mais seguro.

Mas, naquela tarde, algo estava diferente.

Talvez porque John Walker, sem perceber, tivesse escancarado uma pergunta que Eduardo vinha evitando havia tempo demais: que tipo de homem ele era fora das salas de reunião?

Como marido, a resposta não era difícil. Um péssimo marido ou melhor ele nunca fora um marido de verdade, que recebia um telefonema da esposa e fazia seu dia melhor. A conclusão veio seca, desagradável, impossível de ignorar.

Helena era sua esposa havia dois anos, e ainda assim ele sabia tão pouco sobre ela que a constatação o irritou consigo mesmo. Conhecia sua competência profissional, a elegância serena, o cuidado com a mãe e a educação impecável diante da família Monteiro. Sabia do medo de tempestades, da forma como ela se aconchegava ao dormir.

Mas isso não era conhecê-la. Era quase nada.

John Walker parecia saber exatamente qual filme o filho queria ver naquela noite, qual compromisso escolar a filha tinha pela manhã, e bastava ouvir a voz da esposa para que o tom de sua própria voz mudasse.

Eduardo fechou os olhos por um instante.

Helena lhe telefonando para lembrar de um jantar era uma cena tão absurda quanto impossível. Não porque ela não fosse capaz, mas porque ele nunca lhe deu espaço para isso. Nunca construíram esse tipo de intimidade. Nunca lhe permitiu ocupar um lugar real em sua vida, ainda que, no papel, ela fosse sua esposa.

— Murilo.

O assistente voltou para ele de imediato.

— Senhor?

Eduardo demorou um segundo antes de falar, como se a frase lhe custasse mais do que deveria.

— Você tem família em São Paulo?

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