Viviane continuou vendo as fotos por mais alguns minutos, depois fez uma ligação.
— Descubra quem é esse homem.
Ela ouviu o que foi dito e logo em seguida desligou. Ela levantou calmamente e foi até o computador, digitou a senha que só ela sabia e descarregou as fotos em um arquivo já existente. Depois abriu o restante dos arquivos que haviam sido enviados anteriormente.
Viviane sorriu e os olhos brilhavam, ela foi passando as fotos uma a uma. Todas eram de Helena e todas de alguma forma comprometedoras para aqueles que desejavam deturpar a realidade:
Helena saindo de um restaurante ao lado de Bruno. Os dois almoçando juntos em mais de uma ocasião e também em um jantar.
Outra imagem mostrava Bruno ajudando Helena a entrar no carro.
E, por fim, uma sequência de fotos feitas na noite em que Helena, Laura e Bianca haviam ido à danceteria com Bruno, Bernardo e Rogério. Em uma delas, Helena aparecia no reservado, sorrindo de algo que Bruno dissera. Em outra, ele estava próximo demais, observando-a com atenção.
Viviane passou lentamente por cada fotografia, como quem folheia um álbum precioso.
Até aquele momento, tudo aquilo estava cuidadosamente guardado e esperando o momento certo.
Henrique não sabia daquelas fotos, ele era útil para outras coisas, mas não para isso. Quando precisava vigiar alguém, levantar informações ou conseguir provas capazes de serem manipuladas no momento certo, ela recorria a um homem de sua confiança, alguém discreto, eficiente, acostumado a trabalhar sem fazer perguntas.
Viviane recostou-se no sofá e voltou à foto de Helena com Danilo diante da cafeteria.
Havia algo quase poético naquilo. Helena, sempre tão correta, tão discreta… e, ainda assim, cercada por homens. Um homem aparecendo de repente. Bruno Lima orbitando ao redor dela com interesse cada vez menos disfarçado. E Eduardo, do outro lado do mundo, sem imaginar metade do que acontecia no Brasil.
Viviane fechou o arquivo e, em seguida, abaixou a tampa do notebook. Ainda não era hora de expor aquelas fotos. Não queria agir com precipitação. Precisava escolher o momento exato, a imagem certa, a frase perfeita.
Henrique saiu do banheiro naquele instante, secando os cabelos com uma toalha. Ao notar o notebook fechado às pressas e a expressão serena de Viviane, lançou-lhe um olhar intrigado.
— O que você estava fazendo?
Viviane se levantou com a elegância de sempre, os passos lentos e graciosos até ele.
— Nada demais. Só estava te esperando.
Henrique a encarou em silêncio, sem se deixar convencer tão facilmente. Conhecia aquele tom leve demais, aquele sorriso bonito demais, aquela tranquilidade ensaiada. Viviane jamais fora um livro aberto para ele. Havia nela sempre portas fechadas, pensamentos guardados e segredos que nunca dividia por inteiro.
E, pela forma como ela havia fechado o computador, a sensação que se insinuou em seu peito foi imediata: Viviane estava tramando alguma coisa.
E, muito provavelmente, aquilo tinha relação com Helena.
— Você não sabe mentir tão bem quanto pensa — disse ele, aproximando-se devagar.
Viviane arqueou uma sobrancelha, divertida.
— Eu estava mentindo?
— Quando fica calma demais, eu sei que tem alguma coisa acontecendo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Proibida de Amar Meu Marido