O choro durou longos minutos.
Helena já não sabia quanto tempo estava ali, curvada sobre a mesa posta para dois, enquanto as velas ardiam lentamente e o vinho esquecido na taça perdia o brilho. O peito doía tanto que respirar parecia um esforço. Era como se, durante aqueles dois anos, ela tivesse contido lágrimas demais, esperanças demais, silêncios demais… e naquela noite tudo finalmente transbordasse.
Quando o choro foi cessando, restaram apenas soluços fracos e o rosto molhado.
Helena ergueu-se devagar, quase sem forças. Com as mãos trêmulas, pegou a taça de vinho e caminhou até a sala, como se precisasse se afastar daquela mesa, daquela encenação cruel de um jantar romântico que nunca aconteceria.
Sentou-se no sofá, a sala era ampla demais, bonita demais, luxuosa demais, silenciosa demais. Tudo naquela casa parecia ter sido pensado para impressionar, jamais para acolher.
Ela levou a taça aos lábios e tomou um gole pequeno. Depois outro.
Os olhos ardiam, a cabeça pesava e o coração parecia vazio e cheio ao mesmo tempo, vazio de esperança, cheio de dor.
Seu olhar vagou pela sala até se deter em uma fotografia de casamento que ainda permanecia sobre um aparador. Não era a da cabeceira, que ela havia guardado mais cedo, mas uma das fotos oficiais do enlace, cuidadosamente emoldurada pela decoração da casa.
Nela, Eduardo estava ao seu lado, impecável em seu terno escuro, bonito de uma forma quase severa. Helena, em seu vestido branco, parecia exatamente o que todos esperavam ver: uma noiva feliz, serena, realizada. Um casal perfeito.
A imagem fez seus lábios tremerem.
— Por que eu ainda faço isso comigo? — murmurou, a voz rouca, embargada pelo choro.
Não havia ninguém para responder.
Helena pousou a taça sobre a mesinha lateral e se levantou, atraída pela fotografia como se precisasse se punir um pouco mais. Pegou a moldura com cuidado, contemplando o próprio sorriso na imagem.
Parecia outra mulher ou talvez a mesma, apenas mais ingênua.
A mulher daquela fotografia ainda acreditava que o tempo, a convivência e a paciência seriam suficientes. Que iria sair ilesa de tudo aquilo.
Que tola.
Helena levou a foto junto ao peito e fechou os olhos por um instante, como se quisesse abraçar uma versão de si mesma que já não existia.
Foi assim que as pernas lhe faltaram.
Sentou-se novamente no sofá, ainda com a moldura entre os braços, e ficou ali por muito tempo, imóvel, ouvindo apenas o próprio silêncio. O vinho, o cansaço e a exaustão emocional começaram a pesar sobre seu corpo. A cabeça tombou contra o encosto, os dedos afrouxaram em torno da moldura, e, vencida pelo esgotamento, Helena acabou adormecendo ali mesmo.

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