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Proibida de Amar Meu Marido romance Capítulo 167

A reunião avançou por mais de duas horas.

Números, projeções, exigências contratuais, cláusulas de exclusividade, logística internacional, expansão de mercado, ajustes jurídicos e garantias de ambas as partes. Tudo foi analisado com o rigor que se esperava de uma negociação daquela magnitude.

John Walker conduzia cada etapa com a mesma precisão implacável de sempre, atento a cada detalhe, cortante quando necessário, inflexível diante de qualquer ponto que julgasse arriscado.

Eduardo não ficava atrás.

Sentado à mesa, impecável em seu terno escuro, ele sustentava a postura austera e o olhar firme de quem vinha há meses atravessando fusos, noites mal dormidas e reuniões intermináveis para chegar àquele momento. Murilo, ao lado, acompanhava cada fala, registrando observações e revisando documentos no tablet, embora sua atenção vez ou outra se desviasse para o modo como John Walker se portava fora da rigidez da negociação.

Sempre que Bruce se aproximava para lhe entregar algum documento, informar um horário ou esclarecer um detalhe, John mudava discretamente o tom. Não perdia a autoridade, tampouco a objetividade, mas havia ali um respeito silencioso, quase instintivo, como se Bruce não fosse apenas um assessor eficiente, mas alguém cuja presença já fazia parte da própria estrutura de sua vida.

Murilo percebeu isso sem comentar nada.

Talvez porque conhecesse Eduardo bem demais para saber que ele não gostaria daquela observação em voz alta. Ou talvez porque lhe parecesse que o próprio Eduardo também notava.

No fim, depois de revisarem o último adendo contratual, John fechou a pasta à sua frente.

— Creio que estamos alinhados, senhor Monteiro. — Sua voz grave soou firme, mas agora sem a tensão cortante do início. — Bruce enviará a versão final do contrato ainda hoje. Se não houver nenhum ajuste de última hora, assinaremos amanhã.

Eduardo assentiu com um movimento de cabeça.

— Da minha parte, está tudo conforme o combinado.

John o observou por um instante, como se medisse mais uma vez o homem à sua frente. Então se levantou, e todos à mesa o acompanharam.

— Confesso que poucos teriam sustentado o ritmo dessas negociações como o senhor sustentou. — Ele estendeu a mão. — Foi um bom trabalho.

Eduardo apertou a mão dele com firmeza.

— O mérito é de ambas as partes.

John soltou um quase sorriso, breve e raro.

— Ainda assim, admiro homens que sabem o que querem e estão dispostos a pagar o preço por isso.

A frase ficou suspensa no ar por um instante.

Bruce se aproximou para recolher algumas pastas, enquanto Murilo organizava os próprios documentos.

O clima na sala havia mudado. A tensão da negociação dera lugar a uma atmosfera mais sóbria, quase respeitosa e a sensação de que ambos haviam travado uma guerra silenciosa e, ao final, reconheciam no outro um adversário à altura.

Foi então que Eduardo, ajeitando discretamente o punho da camisa, comentou em tom formal:

— Assim que concluirmos a assinatura amanhã, retorno ao Brasil.

John, que já se preparava para deixar a sala, parou por um segundo e voltou-se para ele.

Seu olhar desceu brevemente até a mão de Eduardo, onde a aliança reluzia sob a luz da sala, antes de retornar ao seu rosto.

— O senhor é casado, senhor Monteiro?

A pergunta o atingiu de forma inesperada.

Não pelo conteúdo em si, mas pelo momento. Pela naturalidade com que foi feita. Pela estranha sensação de que havia algo por trás dela além de mera cordialidade.

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