Na manhã seguinte, Eduardo retornou ao edifício do Grupo Walker para a assinatura final do contrato.
O clima era diferente do primeiro encontro. Não havia mais a rigidez inicial nem a disputa silenciosa entre duas vontades fortes. Restava apenas a formalidade de encerrar um acordo que havia consumido meses de negociações intensas.
Na sala de reuniões, os documentos já estavam organizados sobre a mesa. Bruce conferia os últimos detalhes com atenção meticulosa, enquanto Murilo revisava as cláusulas finais pela última vez, ainda por hábito, mesmo sabendo que pouco poderia ser alterado naquele estágio.
John Walker chegou poucos minutos depois.
Impecável, como sempre. O terno de corte perfeito, a postura firme, a presença que preenchia o ambiente sem esforço. Ele apenas assentiu ao entrar, cumprimentando todos com economia de gestos, como se já estivesse mentalmente adiantado ao encerramento do processo.
Dessa vez, no entanto, havia algo diferente em sua expressão não havia pressa, mas um tipo de serenidade que só surgia quando tudo estava sob controle.
— Vamos concluir isso — disse ele simplesmente.
Os advogados se aproximaram. As páginas foram dispostas. As canetas posicionadas.
Eduardo assinou primeiro, sem hesitação e depois John. O som do papel sendo virado parecia mais definitivo do que qualquer discurso.
Quando a última assinatura foi feita, houve um breve silêncio na sala, como se um ciclo tivesse sido fechado com precisão absoluta.
John fechou a pasta com calma.
— Está feito.
Eduardo inclinou levemente a cabeça.
— Está feito.
Houve um aperto de mãos entre os dois. Firme, direto, respeitoso. Por um instante, John sustentou o olhar de Eduardo.
— Boa viagem de volta, senhor Monteiro.
— Obrigado.
— Estou planejando fazer uma viagem ao Brasil para acompanhar de perto o andamento de nossa parceria e pretendo levar minha família, Elizabeth e as crianças desejam muito conhecer o Brasil.
— Será uma honra recebê-los.
Embora Eduardo não demonstrou nenhuma reação aquela informação, ele sentiu algo dentro de si. John Walker, um dos homens mais rico e influente no mundo viajando com a família, e ele?
Um gosto amargo se espalhou pela boca.
Murilo recolheu os documentos, sentindo aquele peso característico de fim de missão. Meses de trabalho condensados em algumas assinaturas.
Bruce acompanhou os dois até a saída, sempre discreto, eficiente, quase silencioso demais para alguém tão presente na estrutura daquela empresa.
Já no corredor, Murilo não conteve um comentário baixo:
— Ele não parece o tipo de homem que deixa algo fora de controle.
Eduardo caminhava à frente.
— Não deixa.
— E mesmo assim… — Murilo hesitou por um instante — dá a impressão de que a vida pessoal dele é o único lugar onde ele não é esse homem.
Eduardo não respondeu de imediato, apenas seguiu andando, mas a frase ficou.
*****
Horas depois, o voo de Eduardo já estava sendo preparado.
No aeroporto, a luz fria que brilhava sobre a cidade, enquanto passageiros iam e vinham em ritmos diferentes, cada um preso ao próprio destino.
Eduardo permanecia em silêncio na sala VIP, com o olhar fixo em algum ponto distante que ninguém ali poderia identificar.
Murilo observava discretamente.
— O senhor não descansou nada desde que chegamos — comentou, tentando soar neutro.
— Descansarei no avião.
Mas a resposta veio automática, distante. Murilo percebeu que o chefe estava diferente, talvez algo que vinha crescendo desde a conversa com John Walker.
Eduardo olhou para o celular por um instante. Nenhuma notificação. Nada de Helena. Ele bloqueou a tela novamente.
Logo em seguida o voo foi anunciado, Eduardo se levantou.

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