Do lado de fora, o sol da tarde já era intenso quando os dois deixaram o restaurante. Helena ajeitou os óculos escuros e olhou rapidamente para o relógio.
— Ainda estamos em um bom horário.
— Eu disse que daria tempo — respondeu Bruno, abrindo a porta do carro para ela mais uma vez.
Helena entrou e, antes que ele fechasse a porta, voltou-se para ele.
— Obrigada pelo almoço.
Bruno apoiou a mão na porta, inclinando-se um pouco.
— Ainda nem começamos a viagem.
Ela sorriu, sem perceber o modo como ele a olhava. Nem o homem estacionado mais adiante, dentro de um carro escuro, que registrou cada cena.
Minutos depois, o carro de Bruno deixou o estacionamento do restaurante e seguiu em direção ao aeroporto.
No banco do passageiro, Helena permaneceu em silêncio olhando pela janela.
Ao volante, Bruno mantinha o olhar na estrada, mas, de tempos em tempos, a observava discretamente, observou que quando não falava de negócios, ela parecia distante.
*****
O trânsito até o aeroporto correu melhor do que o esperado e, quando chegaram, ainda havia tempo suficiente para o embarque sem pressa.
Bruno estacionou na área de desembarque executivo e, antes mesmo que o manobrista se aproximasse, já havia descido do carro para contornar o veículo e abrir a porta para Helena.
— Você vai acabar me deixando mal-acostumada — ela comentou ao sair, ajustando a alça da bolsa no ombro.
Bruno sorriu de leve.
— Não vejo problema nisso.
Helena balançou a cabeça, como se preferisse não responder, e observou enquanto ele retirava as malas do porta-malas. Bruno entregou a mala de mão a ela, mas ficou com a bagagem maior, ignorando qualquer tentativa de protesto.
— Bruno, eu posso levar.
— Eu sei — respondeu, tranquilo. — Mas hoje deixe que eu seja útil.
Ela suspirou, sem insistir. Já começava a perceber que, com Bruno, certas gentilezas vinham acompanhadas de uma determinação silenciosa difícil de contornar.
Os dois seguiram lado a lado pelo saguão do aeroporto.
Helena usava óculos escuros e mantinha a postura elegante de sempre, Bruno caminhava ao seu lado com a naturalidade de quem já se acostumara à presença dela, ora falando sobre a agenda do dia seguinte, ora lembrando alguns detalhes da visita técnica que fariam assim que chegassem.
— O gerente da pedreira confirmou que vai nos receber pessoalmente — disse ele, puxando a mala enquanto se aproximavam da área de check-in. — Se tudo correr bem, conseguimos ver o material principal ainda amanhã.

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