No dia do casamento de Eduardo e Helena, Alberto não pôde estar presente. Na época, estava concluindo seu doutorado em Finanças e precisava defender sua tese justamente naqueles dias.
Por isso, Helena não poderia imaginar que o homem que conheceu rapidamente durante a cerimônia, irmão de Olívia e tio de Eduardo, era, na verdade, o pai de Alberto.
— Vamos entrar. A vovó está perguntando por você.
Helena assentiu e passou por ele e por um breve instante, seus olhares se encontraram. Ela reconheceu imediatamente aquele semblante fechado e os olhos frios que pareciam sempre esconder alguma coisa.
Alberto, porém, não parecia ter se abalado. Quando viu Eduardo se aproximar, ergueu as sobrancelhas, surpreso.
— Sério? Você realmente é marido da Helena?
Eduardo lançou-lhe um olhar breve.
— Você parece surpreso.
Alberto soltou uma pequena risada.
— Surpreso é pouco. Cara, você tem muita sorte.
Eduardo franziu discretamente a testa.
Alberto apenas sorriu e passou por ele. Conhecia bem o temperamento distante e reservado do primo e sabia que arrancar qualquer reação de Eduardo era quase impossível.
*****
Já no quarto, quando Helena entrou, o semblante de Carmen se iluminou.
— Helena, querida! Que bom que chegou.
Helena se aproximou da cama e cumprimentou a avó de Eduardo. Carmen parecia muito bem com o rosto corado e uma expressão alegre.
O quarto estava mais cheio do que Helena imaginava. Além de Olívia, Gilberto e Leonardo, havia outras três pessoas.
Helena reconheceu imediatamente Benjamin, irmão de Olívia, acompanhado da esposa, Constância. Ao lado deles estava uma mulher elegante, de cabelos impecavelmente arrumados e postura altiva. Ela tinha os olhos escuros e cabelos pretos.
Era Margareth, sobrinha de Constância e prima de Alberto. Os pais de Margareth haviam se divorciado quando ela ainda era adolescente e não tinha tempo para cuidar da filha por viverem viajando a trabalho e a menina acabou ficando aos cuidados de Constância por causa dos estudos.
Margareth era cinco anos mais velha que Alberto e também havia estudado na mesma escola que ele e Helena. Enquanto os dois ainda estavam no ensino fundamental, ela já cursava o ensino médio, era considerada uma das garotas mais bonitas da escola e uma das mais populares.
Margareth nunca gostou que Alberto a chamasse de prima diante dos colegas. Poucos sabiam que os dois pertenciam à mesma família e, por isso, ela jamais havia dado muita atenção a Helena.
Para Margareth, naquela época, Helena era apenas uma garota magra, discreta e quase invisível entre as outras meninas.
Benjamin e Constância cumprimentaram Helena com educação e cordialidade. Quando ela se virou para cumprimentar Margareth, Alberto interferiu antes.
— Margareth, você se lembra da Helena? Nós estudamos juntos.
Margareth voltou os olhos para Helena e a examinou lentamente, dos pés à cabeça.
Helena usava um vestido de corte simples, sem exageros ou joias chamativas. Ainda assim, a simplicidade parecia ter sido feita para ela. O tecido acompanhava delicadamente sua silhueta e realçava sua beleza serena.
Margareth arqueou uma sobrancelha.
— Aquela magricela?
O comentário fez Helena ficar sem graça.
Alberto imediatamente franziu a testa.
— Margareth...
Ela deu de ombros, como se não tivesse dito nada demais.
— O quê? Eu só não a reconheci.
Alberto soltou uma pequena risada.
— Não seja invejosa. Você sabe que a Helena sempre foi a mais bonita da escola.
Helena sentiu o rosto aquecer.

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