Havia uma grande cama de madeira escura, mas o ambiente estava longe da sobriedade que ela associava a Eduardo.
As paredes tinham tons quentes, e grandes janelas deixavam entrar a luz do sol e a bela vista do jardim.
Havia uma estante repleta de livros, alguns deles antigos e cuidadosamente preservados. Sobre uma das paredes, havia fotografias de viagens, momentos em família e até algumas imagens de Eduardo muito mais jovem.
Em uma delas, ele aparecia ao lado de Leonardo e Alberto, sorrindo de maneira descontraída.
Havia também uma guitarra em um suporte na parede e uma coleção de discos antigos. Era um quarto cheio de vida e memórias.
Completamente diferente do homem que Eduardo havia se tornado.
— Este era seu quarto? — perguntou Helena, surpresa.
— Antes de eu me mudar.
Eduardo caminhou até a cama e a colocou cuidadosamente sobre os lençois. Helena apoiou-se nos travesseiros, enquanto seus olhos continuavam percorrendo o ambiente, curiosos diante daquela parte desconhecida do homem que era seu marido.
— Como se sente? — Eduardo a encarou.
— Não foi nada. Estou bem.
Uma leve batida na porta interrompeu o silêncio. O mordomo entrou carregando uma bandeja com uma bolsa térmica e um copo de água.
Eduardo aproximou-se, pegou a bandeja e fez um discreto gesto para que ele saísse. O mordomo assentiu e fechou a porta atrás de si.
Eduardo sentou-se na beirada da cama, próximo a Helena, e colocou a bandeja sobre o criado-mudo. Pegou o copo e estendeu para ela.
— Beba.
Helena obedeceu.
Depois, Eduardo pegou a bolsa térmica e a colocou com cuidado sobre o local onde a bola havia atingido.
— Está muito dolorido?
— Não muito. — Ela ergueu os olhos para ele. — Obrigada.
— Descanse um pouco.
Ele levantou-se e caminhou até a porta.
— Fique aqui. Já volto.
Eduardo deixou o quarto e Helena continuou a olhar em volta, era totalmente diferente do que ela esperava.
Quanto mais observava, mais aquele quarto parecia revelar um Eduardo que ela jamais havia imaginado. Era difícil conciliar aquele ambiente com o homem que conhecia.
Pouco depois, a porta se abriu novamente e Eduardo entrou carregando uma pequena bagagem.
Helena olhou para ele, curiosa.
— Pedi à Olga que separasse algumas roupas suas na hora que fomos jogar, Nelson acabou de entregar.

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