Bruno acabava de entrar na empresa de Helena quando Ana o recebeu com cordialidade.
— Senhor Lima, bom dia. A senhora Helena está aguardando o senhor.
Bruno sorriu de leve.
— Bom dia, senhorita Ana. Muito obrigado.
Ele já conhecia o caminho até o escritório de Helena. Seguiu pelo corredor e, antes de chegar à sala, encontrou Bianca vindo na direção oposta, carregando várias pastas nos braços.
Ao vê-lo, ela diminuiu o passo por uma fração de segundo, mas logo recompôs a expressão e continuou caminhando.
— Bom dia, Bruno.
A saudação foi educada, mas sem qualquer intenção de prolongar a conversa.
— Bianca, espere, por favor. — Pediu ao ver que ela não iria parar.
Ela parou alguns passos adiante e se virou.
— Deseja alguma coisa?
A voz era seca, apressada. Nada daquela leveza que ele estava acostumado a encontrar nela. Bruno ergueu discretamente as sobrancelhas.
— Eu queria me desculpar por aquele dia.
Bianca apertou um pouco mais as pastas contra o corpo.
— Está tudo bem.
— Bianca...
— Realmente, está tudo bem. — Ela o interrompeu, com um sorriso que não chegou aos olhos. — Com licença, tenho muito trabalho.
Virou-se antes que ele pudesse dizer qualquer coisa e seguiu pelo corredor. Bruno permaneceu parado, acompanhando-a com os olhos até que ela desaparecesse.
Soltou o ar devagar, ela estava chateada e, por algum motivo, aquilo o fez sentir culpado.
Bruno Lima estava acostumado a lidar com pessoas difíceis, negociações tensas e situações em que uma palavra mal colocada poderia custar milhões. Sabia manter a calma diante de pressão e raramente permitia que as reações dos outros o afetasse.
Mas ver Bianca tratando-o daquela maneira havia provocado um desconforto estranho. Ele não queria tê-la magoado e vendo-a falar com tanta frieza foi algo que o atingiu de uma forma inesperada, mas no fim pensou que era melhor assim.
Convencido disso, Bruno seguiu para o escritório de Helena.
Assim que entrou, Helena ergueu os olhos.
— Como vai, Bruno.
— Bem. E você?
Helena sorriu, mas Bruno percebeu que havia alguma coisa diferente naquele sorriso. Era cordial, porém distante e não chegava aos olhos. também viu as olheiras que ela tentou disfarçar sob a maquiagem, mas não comentou.
Logo os dois estavam concentrados nos assuntos da empresa.
Bruno foi buscar Helena para acompanhá-lo até o complexo comercial, ela queria acompanhar pessoalmente a entrega das peças. Tudo precisava estar perfeito, principalmente diante da importância daquela etapa para os negócios. Ela havia dito que iria sozinha, mas ele insistiu em buscá-la.
— Vamos?
— Claro.
Helena reuniu os documentos e desenhos sobre a mesa para colocá-los numa pasta. Enquanto isso, os olhos de Bruno se desviaram e parou em um quadro na parede.
— Eu não tinha visto aquele quadro antes.
Helena acompanhou seu olhar e um sorriso verdadeiro surgiu em seu rosto.
— A Bianca me deu na semana passada.
Bruno voltou a olhar para a pintura.
— É um dos quadros dela?
— Sim. Minha prima tem muito talento.
Bruno se aproximou do quadro.
Era uma pintura a óleo de uma bela paisagem. Um campo coberto por flores cercava um lago tranquilo, enquanto as nuvens se refletiam na superfície da água. Havia delicadeza nas cores, mas também uma precisão impressionante nos detalhes.
Bruno inclinou ligeiramente a cabeça.
— Realmente, ela tem muito talento.
Aproximou-se mais da tela.
— Essa técnica... nunca vi nada parecido.
Helena parou ao lado dele e ficou admirando o quadro.
— Então percebeu alguma coisa que eu não percebi.
— Não é difícil perceber quando alguém tem talento.
Helena ficou em silêncio por um instante, admirando o quadro ao lado dele.


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