Bruno continuou pelo salão até chegar a uma área mais afastada da pista de dança. Ali, o movimento era menor e o som da música chegava mais abafado.
Foi quando enfim a viu. Bianca estava sentada em um dos bancos altos diante do balcão do bar, conversando com um homem. O mesmo da pista de dança.
Bruno parou, surpreso. Por alguns segundos ficou sem reação, apenas observando.
Bianca sorria enquanto conversava com o rapaz que deveria ter a mesma idade que ela, enquanto conversavam ela estava completamente à vontade.
Sobre o balcão, havia uma taça diante dela.
Bruno franziu o cenho.
O homem disse alguma coisa, e Bianca riu novamente. Em seguida, ele empurrou a taça na direção dela.
Bruno sentiu uma súbita inquietação ao vê-la levar a mão à taça. Algo se acendeu dentro dele, ele atravessou a pequena distância entre eles em passos rápidos. Quando Bianca levou a bebida em direção aos lábios, uma mão segurou seu pulso.
Ela se assustou e virou o rosto.
— Bruno?!
Ele segurava firme seu delicado pulso, seus dedos quase dando uma volta em torno dele, mas seus olhos permaneciam fixos na taça.
— Não beba isso.
Bianca o encarou completamente surpresa.
— O quê?
Bruno finalmente soltou seu pulso e olhou para o homem sentado ao lado dela.
— O que você deu a ela?
O rapaz pareceu tão surpreso quanto Bianca.
— Eu só pedi um drinque para ela.
Ele olhou assustado para Bruno e, então, pareceu reconhecê-lo.
— O que colocou no drinque dela?
A voz de Bruno era ameaçadora. Não lembrava em nada o homem sempre gentil e sereno que todos conheciam.
— Deve haver algum engano. Não fiz nada do que está insinuando.
O rapaz agora parecia amedrontado. Algumas pessoas ao redor perceberam a tensão e começaram a olhar para os três.
— Bruno, o que está fazendo? — perguntou Bianca, ainda tentando entender o que estava acontecendo.
Ele voltou os olhos para ela.
— Tentando te proteger, você não deveria aceitar bebida de um desconhecido.
— Ele não é um desconhecido — respondeu ela, ainda sem entender.
A resposta fez Bruno hesitar.
Bianca apontou para o rapaz.
— Ele é o Gabriel Palhares.
Gabriel olhou para Bruno, ainda assustado, mas ele continuou encarando-o com expressão séria.
— Gabriel é meu colega da faculdade — explicou Bianca. — Nós nos encontramos na pista de dança.
Por alguns segundos, Bruno não respondeu. A tensão em seu rosto começou a diminuir, mas sua expressão continuava fechada.
— Colega da faculdade?
— Sim.
Gabriel suspirou aliviado ao perceber que finalmente Bruno entendeu a situação.
— Nós estudamos juntos. Faz algum tempo que não nos vemos e acabamos nos encontrando aqui.
Bianca olhou para Bruno, ainda surpresa. Ele lançou outro olhar para a taça sobre o balcão.
— E a bebida?
Gabriel respondeu antes dela:
— Eu pedi uma bebida pra mim e um drinque para ela.
— Bianca, está tudo bem?
— Sim, está.
Bruno permaneceu em silêncio por um instante, deu um olhar gélido para Gabriel e então olhou novamente para Bianca. Ela sustentou seu olhar e percebeu algo diferente em sua expressão. Havia preocupação e algo mais que ela não conseguia compreender.
Sem dizer mais uma palavra, Bruno se virou e desapareceu entre as pessoas.
Gabriel acompanhou-o com os olhos.
— Você conhece Bruno Lima?
— Sim. Estamos num grupo de amigos em comum.
Bianca não quis explicar muito. Voltou a olhar para o ponto onde Bruno havia desaparecido e ficou se perguntando se ele realmente havia descido do mezanino apenas para procurá-la.
— Ele sempre é assim? — perguntou Gabriel.
Bianca voltou a atenção para ele.
— Assim como?

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