Já era madrugada quando deixaram a casa noturna. Somente Bernardo estava sem motorista.
Bruno se prontificou a levá-los para casa, enquanto um dos seguranças conduziria o carro de Bernardo.
— Não precisa se preocupar. Eu posso ir no meu carro — protestou Bernardo.
— Vou me sentir melhor se eu os levar. — afirmou Bruno.
— É melhor irem com ele. Eu vou com Rogério e Laura — concordou Gabriella.
Depois de se despedirem dos demais, Bruno entrou no carro, e Bianca sentou-se entre ele e Bernardo.
— Caramba! Nunca entrei em um carro tão luxuoso — comentou Bernardo, admirado.
Realmente, o carro era um luxo só, com um interior espaçoso e sofisticado, quase como uma limousine.
Bianca olhou ao redor e se sentiu pequena. Não apenas pelo luxo do carro, mas principalmente por estar sentada ao lado de Bruno.
Ela já tinha entrado em outro carro de luxo dele, uma vez, quando foram almoçar, já fazia tanto tempo, mas esse não se comparava aquele.
Agora ela tinha uma dimensão muito maior de quanto ele era rico, e o abismo entre os dois parecia ter aumentado ainda mais.
A dor em seu peito se intensificou.
Durante toda a noite, havia feito um esforço enorme para não olhar para Bruno, mas agora, tão perto dele, sentia que sua determinação começava a desaparecer. Por isso, fechou os olhos e abaixou a cabeça.
Não ousava mais alimentar qualquer esperança de que Bruno pudesse enxergá-la de outra maneira.
Provavelmente, ele estava acostumado a ser cercado por mulheres lindas, sofisticadas e tão ricas quanto ele.
E ela?
Era apenas filha de um pequeno empresário e funcionária de uma empresa.
— Não está se sentindo bem?
A voz de Bruno era suave, mas carregava uma certa preocupação.
Bianca abriu os olhos e balançou a cabeça.
— Acho que bebi um pouco demais. Não estou acostumada a beber assim.
— Acho que não foi tanto assim.
Ela não respondeu. Realmente ela não havia bebido tanto, estava se sentindo perfeitamente lúcida, até demais, mas não queria alimentar ilusões.
Mas senti-lo tão perto de Bruno, o calor do corpo dele ao seu lado e aquele perfume masculino que já havia aprendido a reconhecer pareciam inebriá-la mais que qualquer bebida.
Sem sua permissão, o coração disparou.
Bernardo, sentado ao lado, havia acabado cochilando.
Percebendo que Bianca permanecia em silêncio, Bruno parecia procurar uma maneira de manter a conversa entre os dois.
— Você se divertiu muito essa noite.
— Foi... uma noite agradável.
— Aquele seu amigo... vocês eram próximos na faculdade?
Bianca percebeu imediatamente a quem ele se referia.
— O Gabriel?
— Sim.
— Éramos próximos. Nós sempre fazíamos os trabalhos e estudávamos juntos.
— Entendi.
Bruno voltou os olhos para a estrada e ficou em silêncio. A informação o incomodava mais do que gostaria de admitir.
O restante do percurso foi feito em silêncio, pouco depois, o carro entrou na rua onde ela morava.
Quando parou diante da casa, Bernardo despertou lentamente. Olhou pela janela e, ainda sonolento, percebeu que haviam chegado.
— Finalmente...
Bocejou e abriu a porta.
— Estou louco por um café.
Bruno sorriu discretamente.
Bernardo olhou para Bruno e, sem pensar muito, fez um convite.
— Quer entrar com a gente. A Bianca faz um café maravilhoso. Podemos tomar um antes de você ir.
Bianca arregalou os olhos e olhou imediatamente para Bernardo.
— Bernardo… — Começou ela.
Mas ele não pareceu perceber o motivo de sua surpresa.

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