Bianca abriu a geladeira e começou a separar os ingredientes para a omelete.
Enquanto preparava tudo, sentia o olhar de Bruno acompanhando seus movimentos. Não era um olhar insistente ou inconveniente, mas ela tinha consciência da presença dele o tempo inteiro.
Quebrou os ovos em uma tigela, acrescentou os temperos e começou a misturar.
— Você sempre cozinha para o Bernardo quando ele chega com fome no meio da madrugada? — perguntou Bruno.
Bianca sorriu.
— Infelizmente, sim. Ele tem esse hábito desde criança.
— Eu ouvi isso — protestou Bernardo, ainda sonolento.
— Era para ouvir mesmo.
Bruno soltou uma risada.
— Então ele sempre foi assim?
— Sempre. Quando éramos crianças, ele acordava de madrugada e dizia que estava com fome.
— E você fazia comida para ele?
— Algumas vezes. Quando minha mãe deixava.
Bernardo apoiou os braços sobre a bancada.
— Ela sempre cuidou muito bem de mim.
Bianca lançou-lhe um olhar divertido.
— Não exagera.
— Não estou exagerando.
O cheiro do café recém-passado começou a tomar conta da cozinha.
Bernardo respirou fundo.
— Agora sim estou acordando.
Pouco depois, o aroma da omelete se misturou ao do café, fazendo Bernardo recuperar completamente a disposição.
— Parece delicioso.
Bianca sorriu enquanto virava a omelete na frigideira.
Bruno permanecia atento a cada movimento.
Havia algo estranhamente agradável naquela cena. Estava acostumado a restaurantes sofisticados, jantares formais e cozinhas onde outras pessoas preparavam suas refeições.
Ali, porém, tudo era simples e talvez justamente por isso parecesse tão acolhedor.
Bianca desligou o fogo e serviu a omelete em dois pratos.
— Pronto.
Colocou um diante de Bernardo e outro diante de Bruno, em seguida, serviu o café.
Bernardo imediatamente pegou o garfo.
Bruno, porém, olhou para Bianca.
— Você não vai comer?
— Estou sem fome.
— Tem certeza?
Ela assentiu.
— Só vou tomar café.
Ela sentou-se na bancada em frente a eles segurando a xícara entre as mãos.
Bruno experimentou primeiro o café. Tomou um gole e fez uma pequena pausa antes de olhar para ela.
— Está excelente.
Bianca sorriu.
— É só café.
— Mesmo assim, está muito bom.
Então experimentou a omelete. Dessa vez, seu sorriso foi mais evidente.
— E isso está ainda melhor.
Bianca baixou os olhos, discretamente satisfeita com o elogio.
— Obrigada. — Disse timidamente.
— Eu falei que ela cozinha muito bem. — Bernardo apontou o garfo para a irmã. — Bianca cozinha muito bem. O homem que casar com ela vai ser muito feliz.
Bruno sorriu e seu olhar encontrou o de Bianca por um instante.
Ela percebeu o sorriso dele e sentiu o rosto aquecer. Desviou os olhos imediatamente para a xícara, fingindo concentrar toda a atenção no café.
Bernardo continuou comendo, completamente alheio ao pequeno silêncio que se instalara entre os dois.
Bruno, porém, ainda sorria.
E Bianca, embora tentasse esconder, não conseguia evitar que o coração batesse um pouco mais rápido.

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