Ela respirou fundo e atendeu.
— Alô? — A voz saiu insegura.
Do outro lado, houve um breve silêncio.
— Helena, como você está?
— Bem... e você?
— Estou bem.
Outra pausa.
— Eu tive que sair cedo hoje.
— Eu sei.
Eduardo ficou em silêncio por alguns segundos, como se procurasse uma maneira de continuar aquela conversa.
— Hoje à noite será o jantar na casa dos meus pais.
Helena segurou o telefone com mais força.
— Eu sei.
— Depois do que aconteceu... — ele começou, mas interrompeu a frase. Fez uma breve pausa antes de continuar. — As coisas entre nós ficaram um pouco... difíceis.
Ela fechou os olhos por um instante.
— Eu também acho.
Eduardo respirou profundamente do outro lado da linha.
— Eu não quero que você fique desconfortável esta noite. Não quero que o que aconteceu entre nós mude a maneira como você vai agir diante da minha família. Sei que não podemos simplesmente fingir que nada aconteceu.
Helena apertou os lábios.
— Eduardo...
— Não quero exigir de você mais do que posso lhe oferecer. — A voz dele estava mais baixa agora.
O coração dela disparou.
— Então o que você pode me oferecer, Eduardo?
Do outro lado, Eduardo permaneceu em silêncio. A pergunta era simples, mas a resposta, não.
Helena esperou, sentindo o coração bater cada vez mais forte. Mas ele não respondeu.
— Chegarei em casa a tempo de irmos juntos — disse finalmente.
Ela ficou em silêncio por um instante.
— Está bem.
Eduardo pareceu hesitar antes de desligar.
— Até mais tarde.
— Até mais tarde, Eduardo.
A ligação terminou.
Helena permaneceu alguns segundos com o telefone junto ao ouvido, mesmo depois de a chamada ter sido encerrada.
Baixou lentamente a mão e ficou olhando para a tela apagada. Ele não havia respondido à pergunta.
Talvez porque ainda não soubesse o que poderia oferecer.
*****
Do outro lado da cidade, Eduardo permaneceu sentado diante da mesa do escritório, com o telefone ainda em sua mão.
A pergunta de Helena continuava ecoando em sua mente.
“Então o que você pode me oferecer, Eduardo?”
Ele apoiou o celular sobre a mesa e recostou-se na cadeira, permanecendo alguns segundos em silêncio.
O que poderia oferecer?
Ou talvez a pergunta fosse outra:
O que você quer que eu lhe ofereça?
Dinheiro nunca havia sido um problema. Segurança, conforto, uma vida sem preocupações... tudo aquilo ele poderia proporcionar sem sequer precisar pensar duas vezes.
Eduardo sabia que a maioria das mulheres que se aproximavam dele, ao longo dos anos, havia sido atraída pelo sobrenome Monteiro, pelo poder, pelo patrimônio ou pela posição que ocupava. Estavam interessadas no homem que aparecia nas revistas, no presidente do Grupo Monteiro, no homem que podia abrir portas para a sociedade.
Mas Helena não precisava de nada disso.
Ela já era a senhora Monteiro.
E, ainda assim, aquela pergunta continuava incomodando-o.
Talvez ela quisesse alguma garantia de que não seria simplesmente descartada quando o contrato chegasse ao fim. Talvez, depois de tudo o que haviam vivido, desejasse saber se existia a possibilidade de permanecer ao seu lado mesmo quando o acordo deixasse de existir.
Seria tão simples transformar aquilo em um casamento de verdade.
Sua mãe gostava de Helena. Sua avó a recebera como se ela já fizesse parte da família havia anos. Seus parentes a respeitavam. Até mesmo Leonardo parecia ter desenvolvido por ela uma afeição que Eduardo jamais imaginara possível.
E Helena...

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