Depois de saírem da praia e retornarem à mansão, um verdadeiro churrasco brasileiro os aguardava.
O mestre churrasqueiro comandava a churrasqueira, preparando diferentes cortes de carne selecionadas, enquanto um garçom circulava pelo espaço preparando caipirinhas e servindo outras bebidas típicas.
O ambiente estava descontraído. Música baixa tocava ao fundo, as conversas se misturavam às risadas das crianças e o aroma das carnes assadas se espalhava pelo jardim.
John, Bruce e Eduardo jogavam de sinuca, enquanto as crianças brincavam na piscina sob o olhar atento das mulheres.
Dessa vez, Helena também havia entrado na água.
Luize e Luke desenvolveram um carinho por ela quase imediatamente e não demoraram a transformá-la em uma das companheiras preferidas das brincadeiras. Helena ria enquanto os dois gêmeos disputavam sua atenção.
Da mesa de sinuca, Eduardo observava a cena sempre que encontrava uma brecha entre uma tacada e outra.
Quando as mulheres finalmente saíram da piscina, Helena também deixou a água e se acomodou em uma espreguiçadeira ao lado de Elizabeth e Chloe.
Bruce terminou sua caipirinha e ergueu o copo vazio.
— Vou pegar outra dessas?
John sorriu.
— Traga uma para mim e para o Eduardo também.
Bruce olhou para ele, fingindo indignação.
— Não sou seu garçom, John.
Eduardo acompanhou Bruce com os olhos enquanto ele se afastava em direção ao bar. Mais uma vez, percebeu aquela intimidade entre os dois. Não era apenas confiança profissional. Havia ali uma amizade construída sobre algo muito mais profundo.
— Você e Bruce parecem ser ótimos amigos.
O sorriso de John desapareceu aos poucos e permaneceu alguns segundos em silêncio antes de responder.
— Bruce conheceu o meu lado mais sombrio.
Eduardo voltou os olhos para ele. John olhava para Bruce, que agora conversava com o garçom enquanto esperava as bebidas.
Havia gratidão em seu olhar. Uma gratidão tão profunda que, por um instante, parecia tocar alguma lembrança dolorosa.
— E esteve ao meu lado quando mais precisei. — John respirou fundo. — Se não fosse por ele, eu não sei o que teria acontecido naquela época. Foi o pior momento da minha vida, quando eu afastei todos com meu péssimo temperamento…ele estava lá, não como meu assistente, mas como um amigo. Devo minha gratidão a ele.
Eduardo não fez perguntas.
Apenas observou o homem à sua frente. John Walker, o homem altivo que parecia dominar tudo e todos, fazer homens poderosos recuarem diante de uma decisão sua.
Mas, naquele instante, havia uma fragilidade em seus olhos que Eduardo jamais imaginara ver, mas que não diminuía sua força. Pelo contrário, parecia revelar o preço que havia pago para chegar até ali.
John desviou o olhar de Bruce e voltou a encarar Eduardo.
— Mas isso é passado. — John apontou para o taco na mão de Eduardo. — Agora é sua vez.

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