Augusto sorriu antes que qualquer um respondesse.
— Sim. A família Lima é cliente antiga da galeria e sempre esteve entre nossos grandes apreciadores de arte.
A explicação pareceu perfeitamente natural.
Bianca assentiu.
— Entendi.
Mas seus olhos permaneceram por um instante em Bruno. Ele apenas sustentou seu olhar com tranquilidade.
Bianca voltou a sorrir para os demais, mas uma pequena dúvida já havia se instalado em sua mente.
Talvez aquela história fosse exatamente como Augusto havia contado ou talvez houvesse alguma coisa que ainda não lhe tivesse contado.
Lembrou-se de Helena comentar que um cliente havia visto seu quadro no escritório, mas jamais imaginara que pudesse ter sido Bruno.
Não teve tempo, porém, de pensar mais sobre aquilo.
— Desculpem o atraso.
Uma voz suave interrompeu seus pensamentos e Patrícia surgiu ao lado da família Lima.
— Patrícia, querida. Que bom que veio. — Arlete a recebeu com um abraço afetuoso. — Você está linda, minha querida. Não é mesmo, Bruno?
Arlete virou-se para o filho.
Bruno manteve o sorriso educado.
— Está sim. Como vai, Patrícia?
Patrícia sorriu e, sem cerimônia, enlaçou o braço dele.
— Muito bem.
Só então voltou-se para os demais.
— Senhor Rodrigo, como tem passado?
— Muito bem, Patrícia. Sempre tão atenciosa.
Augusto aproximou-se.
— Senhorita Dantas, é um prazer recebê-la em minha galeria.
— Eu não poderia faltar por nada. — A voz era suave e o sorriso, impecável. Apenas os olhos revelavam um brilho frio. — Afinal, parece que o senhor descobriu um novo talento.
— Sem dúvida. Deixe-me apresentar a jovem artista responsável pela exposição. Bianca Soares.
Patrícia ergueu as sobrancelhas, fingindo surpresa.
— Nós já nos vimos antes.
Bianca permaneceu educada.
— Sim, senhorita
— É a funcionária que está cuidando da reforma do Salão Cristal, não é? — Patrícia perguntou. — Não sabia que você também pintava.
Arlete, sem perceber a provocação, tentou explicar:
— Você não se lembra de que comentamos sobre a exposição quando nos encontramos em casa?
Patrícia sorriu.
— Ah, sim. Desculpe, eu não a reconheci. — Seus olhos percorreram Bianca rapidamente. — Você estava tão... simples naquele dia.
Bruno imediatamente percebeu a intenção por trás daquelas palavras e seu sorriso desapareceu.
— Bianca é muito talentosa — disse, em tom firme. — Tenho certeza de que você vai reconhecer isso quando conhecer o trabalho dela.
Patrícia voltou-se para ele.
— Claro. É o que veremos.
Depois apertou um pouco mais o braço de Bruno.
— Já que é assim, poderia me acompanhar pela exposição? Assim podemos conhecer melhor o talento da senhorita Bianca.
— Vá com ela, filho — incentivou Arlete.
Bruno hesitou por um instante e antes de se afastar, lançou um último olhar para Bianca. Havia um pedido silencioso de desculpas naquele gesto.
Ela respondeu apenas com um pequeno sorriso, tentando demonstrar que estava tudo bem.
— Senhor e senhora Lima, se me dão licença — disse Augusto. — Ainda preciso apresentar nossa artista a alguns convidados.
— É claro. Fiquem à vontade — respondeu Rodrigo.
Augusto conduziu Bianca para o outro lado do salão.
Nos minutos seguintes, ela foi apresentada a colecionadores, empresários, críticos e apreciadores de arte.
Bianca sorria, aquela era sua noite, por isso resolveu se concentrar nela e não se deixar abater, respondia às perguntas e explicava apenas o necessário.
Em determinado momento, um casal permaneceu diante de Liberdade por vários minutos.

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