A exposição estava sendo um verdadeiro sucesso. Bianca recebia elogios sinceros por suas obras, e várias delas já haviam sido vendidas por valores expressivos logo no primeiro dia. Como a mostra permaneceria aberta por mais duas semanas, entretanto, os quadros vendidos continuariam expostos até o encerramento.
Bianca era o centro das atenções. Radiante, com um sorriso luminoso, recebia não apenas elogios pelo seu talento, mas também pela sua beleza e serenidade.
Mas nem todos compartilhavam daquela alegria.
Patrícia tentou permanecer ao lado de Bruno durante a noite, mas ele sempre encontrava uma maneira de se afastar para cumprimentar algum conhecido.
Naquele momento, estava justamente conversando com Bianca.
Patrícia observou a maneira como ele a escutava, o sorriso que surgia em seus lábios e a atenção que lhe dedicava. Bruno costumava ser gentil com todos, mas havia algo naquela interação que incomodava. Havia algo diferente, mesmo quando namoravam, ele nunca a olhou com tanta suavidade e atenção, nem mesmo nos momentos mais íntimos.
— O que foi, querida? — perguntou Arlete, percebendo seu semblante fechado.
Patrícia desviou os olhos e esboçou um sorriso frágil.
— Não é nada, senhora Arlete.
Arlete pegou uma das mãos de Patrícia e a apertou com carinho.
— Você está chateada. Pode me contar.
Patrícia baixou os olhos e levou a mão livre ao canto deles, num gesto teatral, como se tentasse conter lágrimas que sequer haviam surgido.
— Está tudo bem — murmurou, com a voz embargada.
Arlete a observou por alguns segundos.
— É o Bruno, não é?
Patrícia hesitou antes de responder. Depois, ergueu os olhos, deixando transparecer uma mágoa cuidadosamente calculada.
— Já que a senhora percebeu... — Fez uma pequena pausa. — Ele praticamente me ignorou a noite toda.
Arlete suspirou, acompanhando a direção do olhar dela.
— E agora está conversando com Bianca.
— Exatamente. — Patrícia apertou de leve a mão da mulher. — Não quero parecer inconveniente, mas confesso que não esperava ser tratada dessa maneira, principalmente depois de tudo o que vivemos.
Arlete ficou séria.
Arlete era uma mulher muito perspicaz, desde a primeira vez que Bianca estivera em sua casa, percebera uma mudança discreta no comportamento do filho. Bruno demonstrava um interesse incomum pela jovem, e sua atenção parecia se voltar para ela com uma naturalidade que Arlete não se lembrava de ter visto em relação a outras mulheres.
Mas não comentou suas impressões, preferiu guardar para si o que ainda não compreendia por completo, para ela seu filho era mais levado pela razão que pela emoção e isso o fazia parecer até um homem com poucos sentimentos românticos.
Patrícia percebeu a mudança na expressão de Arlete e, por dentro, sorriu satisfeita.
Os pais de Bruno sempre foram favoráveis a uma união entre os dois. Arlete, em particular, costumava elogiá-la, dizendo que era doce, inteligente e que formava um belo casal com seu filho.
Era justamente essa confiança que Patrícia pretendia aproveitar.
— Não se preocupe, querida — assegurou Arlete. — Vou conversar com ele.
— Obrigada. A senhora não imagina o quanto isso significa para mim.
Patrícia inclinou a cabeça, escondendo a satisfação por trás de uma expressão comovida.
Afinal, se Bruno parecia determinado a se aproximar daquela artista, talvez fosse necessário lembrá-lo de que ela já ocupava um lugar em sua vida.
Não muito longe dali, Bruno e Bianca continuavam conversando, alheios à atenção que despertavam.
— Estou realmente impressionado com seu talento — disse ele, observando uma das pinturas expostas ao lado deles. — Suas obras transmitem muito mais do que imagens. É como se cada uma guardasse uma história.

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