Numa casa noturna, taças e copos se encontraram em um brinde.
— Ao sucesso de Bianca! — anunciou Bernardo, orgulhoso da irmã.
— Ao sucesso! — responderam os demais em coro.
O grupo era pequeno, mas a animação não faltava. Além de Bianca, Bernardo e Bruno, estavam presentes Leonardo, Alberto e Gabriella. A música envolvia o ambiente, misturando-se às risadas e à conversa descontraída dos amigos.
Bruno, porém, parecia distante. Sentado com o copo entre os dedos, observava o movimento sem realmente prestar atenção em nada.
Leonardo, que raramente perdia uma oportunidade de provocar alguém, inclinou-se em sua direção.
— Bruno, que cara é essa? Você nos convida para comemorar e fica aí, parecendo que veio a um velório.
Bruno ergueu os olhos e esboçou um sorriso.
— Estou apenas pensando um pouco.
— Quando você começa a pensar demais, alguém acaba pagando por isso.
A observação arrancou um sorriso de Bruno. Ele tomou um gole da bebida e, ao erguer os olhos novamente, deparou-se com Bianca conversando animadamente com Alberto.
Pouco depois, Alberto lhe estendeu a mão, convidando-a para dançar. Bianca aceitou com um sorriso, e os dois se juntaram aos casais que ocupavam a pista.
Logo, os demais também se animaram e foram dançar, deixando Bruno sozinho à mesa.
Ele acompanhou a cena com o semblante mais sério que o habitual. Quando Alberto se inclinou para dizer algo ao ouvido de Bianca, fazendo-a rir novamente, Bruno apertou o copo entre os dedos.
Não sabia por que aquela cena o incomodava tanto. Tampouco entendia por que, de repente, a música parecia alta demais e a comemoração perdera parte do encanto.
Estava feliz por Bianca. Ela merecia cada elogio, cada conquista e toda aquela alegria.
Só não conseguia entender por que vê-la dançando com outro homem estava longe de lhe ser indiferente.
*****
Eduardo dirigia um de seus carros esportivos pelas ruas da cidade, sem saber ao certo para onde estava indo.
Apesar do horário, ainda havia movimento. Faróis cortavam a noite, veículos cruzavam os poucos espaços disponíveis e buzinas soavam ao longe. Ele, porém, parecia alheio a tudo.
Acelerava além do necessário, fazia ultrapassagens bruscas e, quando o sinal à frente mudou para vermelho, passou pelo cruzamento sem reduzir a velocidade.
Um carro buzinou estridentemente e Eduardo sequer olhou. Suas mãos apertavam o volante com tanta força que os nós dos dedos haviam perdido a cor. A mandíbula estava rígida, e sua respiração começava a se tornar irregular.
Ele precisava se afastar, precisava calar os pensamentos. Mas, quanto mais tentava, mais as palavras ouvidas na exposição voltavam à sua mente.
O prazo está acabando.
Eu vou te dar o que quer.
O dinheiro. O prazo.
Eduardo fechou os olhos por uma fração de segundo, tomado por uma raiva amarga.
Tinha sido um idiota.
Pela primeira vez em anos, permitira acreditar que poderia existir algo verdadeiro entre ele e uma mulher. Baixou a guarda, aceitou a proximidade de Helena e começou a desejar coisas que julgava impossíveis para si.
Um lar que não fosse apenas um lugar para dormir, uma mulher que o esperasse no fim do dia. Alguém com quem pudesse compartilhar a sua vida.
E agora...
— Maldição! — murmurou, golpeando o volante com a palma da mão.
O carro avançou pela avenida, enquanto outra lembrança, muito mais antiga, irrompia em sua mente sem pedir permissão e sem que ele pudesse afastá-la.
O acidente.
Tudo voltou como flashes de um filme.
Leonardo e Viviane… os dois juntos em um momento suspeito.
A primeira reação foi a incredulidade. Depois, a raiva tomou conta dele, sufocando qualquer possibilidade de ouvir uma explicação por mais verdadeira que fosse.
Leonardo tentara falar. Dissera que Eduardo estava entendendo tudo errado, que havia algo por trás daquela situação.
Mas ele não quisera escutar.
Cada palavra do irmão lhe parecera uma desculpa. Cada tentativa de se aproximar aumentava sua fúria.
Então veio o soco.
Leonardo cambaleou, surpreso, mas não revidou de imediato. Tentou conter o irmão, afastá-lo, fazê-lo ouvir. A discussão se transformou em uma luta desordenada, alimentada por acusações e ressentimentos que nenhum dos dois soube controlar.

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