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Proibida de Amar Meu Marido romance Capítulo 339

Um ruído agudo de buzina arrancou Eduardo das lembranças.

Ele freou bruscamente diante de um veículo que reduzia a velocidade à sua frente. O carro derrapou por um breve instante, e seu coração disparou.

Por alguns segundos, ficou imóvel, com as mãos trêmulas sobre o volante e o suor escorrendo pelas têmporas.

O ar-condicionado continuava ligado, mas ele sentia o corpo encharcado de suor frio.

Estava novamente naquela noite… naquele hospital… naquele silêncio.

Eduardo respirou fundo, tentando recuperar o controle. Olhou para as próprias mãos, como se precisasse se certificar de que estava ali, no presente, e não preso outra vez às lembranças que passara tantos anos tentando enterrar.

Mas Helena havia tocado em algo que ele julgara morto.

A esperança e o desejo de confiar.

A vontade, quase vergonhosa, de acreditar que talvez pudesse ser amado sem precisar provar seu valor, sem seu status, sem o peso de seu nome ou fortuna. Ser amado por ser apenas Eduardo.

Ele lembrou dos beijos, dos pequenos gestos de carinho, da maneira como ela o olhava, dos jantares e de ter começado a imaginar como seria a vida dos dois depois do fim do contrato. Talvez um futuro que não tivesse sido negociado com cláusulas e assinaturas.

E agora aquelas lembranças pareciam zombar dele.

Na sua mente, a conversa entre Helena e Danilo se misturava às recordações de Viviane. Duas mulheres diferentes, duas histórias distintas, mas uma conclusão que Eduardo, ferido demais para enxergar qualquer outra possibilidade, já começava a considerar inevitável.

Ele havia confiado outra vez, talvez até amado e talvez… tivesse sido enganado novamente.

— Como você pôde fazer isso comigo? — sussurrou, com a voz embargada.

Não sabia se falava com Helena ou com a lembrança da mulher que o abandonara anos antes. Apoiou a testa no volante e fechou os olhos por alguns segundos.

A raiva ainda estava ali, mas, por baixo dela, havia algo muito pior.

Dor.

A mesma dor antiga, sufocante, que o fizera erguer muros tão altos ao redor do próprio coração.

Eduardo queria odiar Helena. Queria convencer a si mesmo de que ela não passava de uma mulher interesseira, de que os momentos de ternura não significavam nada, de que fora apenas ingênuo ao confundir proximidade com sentimento.

Seria mais fácil assim.

Muito mais fácil do que admitir que ainda desejava vê-la sorrir para ele, que ainda queria sentir suas mãos em seu rosto e que, apesar de tudo, uma parte sua esperava que houvesse uma explicação capaz de desfazer aquela certeza terrível.

Eduardo ergueu a cabeça, enxugou o rosto e voltou a segurar o volante. Dessa vez, reduziu a velocidade.

Não sabia para onde iria, apenas que não conseguiria voltar para casa naquela noite.

Não depois de olhar para Helena e enxergar, no lugar da mulher que começava a amar, a possibilidade de mais uma traição.

E, enquanto retomava o caminho pela cidade, uma certeza amarga se instalou em seu peito: se Helena realmente o havia enganado, ele não permitiria que ela tivesse a satisfação de vê-lo sofrer por isso.

Mesmo que, para se proteger dela, precisasse destruir a única felicidade que começava a encontrar.

*****

A mansão parecia grande demais naquela noite.

Helena continuava no alto da escada, olhando para a porta por onde Eduardo havia saído. Mesmo depois que o ruído do carro desaparecera, ela permaneceu imóvel, como se ainda esperasse ouvi-lo voltar e explicar o que acabara de acontecer.

Mas o silêncio persistia.

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