Na manhã seguinte, quando Helena chegou na cozinha, a senhora Olga a acolheu com um leve sorriso. Depois dos cumprimentos habituais, Olga a olhou com carinho.
— Parece que dessa vez o senhor Eduardo vai ficar bastante tempo fora.
Para quem ouvisse, parecia um comentário simples, sem intenção nenhuma. Mas vindo de Olga, era como se ela soubesse de tudo.
— Sim, é verdade. — Disse Helena tentando manter o semblante sereno.
Olga serviu o café e Helena tentava comer, mas algo em sua garganta travava qualquer tentativa.
O coração de Helena havia afundado de vez, sentia falta de Eduardo, queria vê-lo. Queria dizer que o amava de verdade. Mas diante das atitudes de Eduardo de sua frieza e distanciamento, era impossível que um dia viesse a amá-la.
Ela iria guardar esse segredo e não contaria para ninguém e só lhe restava que no decorrer do contrato Eduardo pudesse enxergá-la e quem sabe despertar nele algum sentimento, era uma esperança e ela iria viver aqueles dias com essa frágil e pequena esperança.
Sem conseguir comer, Helena tomou só café e pegou a bolsa pronta para sair.
— A senhora já vai? Nem tomou café.
— Eu tenho muitas coisas pra resolver, depois como alguma coisa com minha mãe.
Helena saiu sob o olhar preocupado de Olga.
Com o aumento da demanda na empresa de Clara, Helena precisou reduzir parte das aulas no conservatório. A notícia entristeceu alguns alunos, mas ela sabia que precisava ajudar mais a mãe e participar ativamente da administração da marmoraria. Afinal, a empresa também lhe pertencia, e um dia toda aquela responsabilidade estaria em suas mãos. Além disso, Clara já começava a demonstrar sinais claros de cansaço.
Naquela manhã, depois de terminar sua última aula, Helena deixou o conservatório às pressas. Xavier já a aguardava do lado de fora e, assim que ela se aproximou, ele abriu a porta do carro com a habitual discrição. Antes de entrar, porém, Helena notou um carro esportivo de luxo estacionado um pouco adiante. O veículo chamou atenção pelo brilho impecável da pintura escura e pelas linhas sofisticadas, mas ela não lhe deu importância. Entrou no carro e partiram.
Pouco tempo depois, chegou ao escritório da empresa.
O ambiente estava movimentado. Funcionários atravessavam os corredores carregando amostras de pedras, catálogos e projetos para a feira de arquitetura e design que aconteceria na semana seguinte.
— Bom dia, Célia. Como vão as coisas? — perguntou Helena enquanto retirava os óculos escuros.
— Bom dia, Helena. Uma verdadeira correria. A feira está consumindo todo mundo.
Helena sorriu de leve antes de seguir para a sala da mãe.
Assim que entrou, Clara se levantou imediatamente.
— Filha, que bom que chegou.
As duas se abraçaram com carinho. Helena, porém, não deixou de notar a palidez da mãe, os traços cansados e o quanto ela parecia mais magra nos últimos dias. Seu coração apertou, mas preferiu não comentar.
— E os exames? — perguntou com cuidado.
— Os resultados ficam prontos na próxima semana.
— Quando a senhora for ao médico, quero ir junto.
Clara abriu um sorriso tranquilo, embora a voz revelasse um leve tremor.
— Querida, não precisa se preocupar. São apenas alguns exames. Sempre fui sozinha.
Helena sustentou o olhar da mãe por alguns segundos, percebendo que ela tentava parecer mais forte do que realmente estava.
— Querida, sei o quanto você ama dar aulas — continuou Clara, sentando-se novamente. — Mas preciso de você aqui comigo.
Com o crescimento da empresa, os pedidos aumentaram consideravelmente. Entre projetos personalizados, contratos de alto padrão e a preparação para a feira, Clara já não conseguia administrar tudo sozinha.
Helena respirou fundo antes de responder:
— Eu entendo, mãe. Na verdade... também venho pensando sobre isso.
Nas horas seguintes, as duas revisaram contratos, discutiram fornecedores e organizaram os detalhes finais da feira. O evento seria importante para apresentar a nova coleção de peças exclusivas desenhadas por Helena.
Em determinado momento, Clara ergueu os olhos dos papéis.
— Seu marido vai estar presente?

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