O olhar de Eduardo desceu involuntariamente para os lábios dela e aquilo bastou para quebrar algo dentro dele.
Seu semblante mudou na mesma hora tornou-se frio e ele se fechou novamente para qualquer sentimento e foi como se ele tivesse erguido uma barreira entre eles novamente.
Eduardo se afastou primeiro.
— Já está tarde. — disse em tom distante. — É melhor irmos descansar. Boa noite.
Sem esperar resposta saiu da cozinha.
Helena permaneceu imóvel, ainda conseguia sentir a proximidade dele. Mas o que mais doía foi a mudança brusca entre o homem que dividira vinho, conversa e até risos com ela… e aquele que acabara de erguer um muro entre os dois novamente.
*****
Na manhã seguinte, Helena levantou cedo e, ao chegar à cozinha para tomar café, percebeu que Eduardo já havia saído.
Após cumprimentar Olga, tomou um rápido café e saiu apressada, tinha muita coisa para ser resolvida até a abertura da feira.
Quando chegou ao centro de convenções, encontrou um cenário tomado por uma energia frenética. Caminhões descarregavam peças gigantescas, enquanto operadores ajustavam enormes máquinas de corte e polimento que seriam exibidas ao público do setor de rochas ornamentais. O vai e vem dos trabalhadores era intenso para terminar tudo a tempo.
Na área interna, os estandes competiam entre si em grandiosidade e sofisticação. Equipes de montagem corriam para finalizar estruturas, eletricistas ajustavam a iluminação cenográfica e decoradores posicionavam arranjos e painéis de última hora. Algumas empresas ensaiavam apresentações em telões, enquanto outras limpavam cuidadosamente cada superfície de mármore para garantir o brilho perfeito na abertura oficial.
No estande da Vasconcelos Mármores e Granitos, o clima era de absoluto sigilo. Uma enorme peça permanecia completamente coberta por uma cortina preta de proteção. Os funcionários haviam trabalhado durante toda a madrugada na montagem da estrutura, evitando qualquer olhar curioso. Até mesmo os colaboradores de outros estandes tentavam descobrir o que estava sendo preparado ali.
Quando Helena chegou, Maurício já coordenava os últimos ajustes técnicos, enquanto Clara conferia a disposição do material promocional e dos catálogos. Alice acompanhava tudo de perto ao lado de Helena, revisando detalhes da decoração, da iluminação e da recepção dos convidados. A tensão era grande, mas a expectativa parecia ainda maior.
Por volta da hora do almoço, Célia apareceu carregando os portfólios recém-impressos e várias sacolas com comida para a equipe, arrancando suspiros aliviados dos funcionários que mal haviam parado desde cedo.
Durante a tarde, a movimentação aumentou ainda mais com a chegada da equipe de buffet. Garçons uniformizados organizavam bandejas, taças e mesas de apoio, as geladeiras eram abastecidas com bebidas, arranjos florais recebiam os retoques finais e os recepcionistas ensaiavam os cumprimentos para os visitantes.
À medida que o horário da abertura se aproximava, o centro de convenções deixava de parecer um canteiro de obras e começava, finalmente, a assumir o brilho elegante e grandioso do maior evento do setor.
Quando finalmente tudo ficou pronto, os últimos funcionários da limpeza passaram pelos corredores deixando cada detalhe impecável. Sob as luzes cuidadosamente posicionadas, os mármores e granitos refletiam brilho e sofisticação. Por onde se olhava havia luxo, imponência e uma disputa silenciosa entre as empresas para descobrir qual estande arrancaria mais olhares dos visitantes.
No espaço da Vasconcelos Mármores e Granitos, tudo parecia perfeitamente alinhado. As peças estavam iluminadas de forma estratégica, destacando veios, cores e acabamentos. A grande estrutura coberta no centro do estande permanecia intacta, aumentando ainda mais a curiosidade de quem passava por ali.
Clara cruzou os braços devagar enquanto observava o resultado final, deixando escapar um sorriso orgulhoso.
— Querida, acho que está tudo perfeito.
Helena acompanhou o olhar da mãe, admirando cada detalhe que haviam planejado durante semanas. Apesar do cansaço estampado no rosto, sentia o peito aquecido pela sensação de dever cumprido.

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