O impacto da revelação da escada se espalhou rapidamente pela feira. Em poucos minutos, o estande da Vasconcelos Mármores e Granitos havia se tornado um dos mais movimentados do evento. Empresários, arquitetos, engenheiros e investidores se aglomeravam ao redor da peça, comentando os detalhes técnicos e tentando compreender como aquela estrutura parecia desafiar o peso e a gravidade.
Helena mal teve tempo de respirar.
A todo instante era abordada por representantes de construtoras, donos de marmorarias e clientes internacionais interessados em conhecer mais sobre os projetos da empresa. Entre um cumprimento e outro, ela explicava materiais, acabamentos e possibilidades de personalização com uma segurança admirável. Sua postura elegante e firme impressionava tanto quanto as peças expostas no estande.
Maurício acompanhava as negociações mais importantes ao lado dela, enquanto Clara organizava discretamente o fluxo de visitantes e apresentações. Alice, sempre atenta, entregava catálogos e encaminhava possíveis compradores para reuniões rápidas reservadas em uma área mais privativa do espaço.
Praticamente em todos os estandes da feira o movimento era intenso. O que se ouvia era o som e os anúncios ocasionais feitos pela organização do evento. Algumas empresas exibiam máquinas gigantescas em funcionamento; outras apostavam em obras de design ousado para atrair atenção. Mas era impossível ignorar que boa parte dos visitantes acabava encontrando o caminho até o espaço da Vasconcelos.
Após conversar com mais um arquiteto, Helena viu os tios se aproximando pelo corredor principal.
Renato vinha sorridente ao lado da esposa, Glória, enquanto os filhos, Bernardo e Bianca, observavam tudo ao redor com evidente admiração. Assim que chegaram ao estande, Bianca ficou encantada ao ver a escada iluminada.
— Helena… isso está simplesmente maravilhoso! — disse Glória, abraçando a sobrinha com carinho.
Renato girou lentamente o olhar pelo espaço, impressionado.
— Eu sabia que vocês fariam algo grande, mas isso aqui… — ele apontou para a escada — …isso está em outro nível.
Bernardo se aproximou da peça quase hipnotizado.
— Parece que ela está flutuando de verdade. Como vocês conseguiram fazer isso?
Helena sorriu, satisfeita ao perceber o encanto nos olhos deles.
— Foi muito planejamento e estudo. Tivemos que desenvolver uma estrutura especial para sustentar os degraus sem comprometer a leveza visual.
— Valeu cada segundo — comentou Bianca. — O estande de vocês é o mais bonito da feira inteira.
Os elogios deixaram Clara emocionada, embora ela tentasse disfarçar mantendo a postura elegante. Ainda assim, o brilho orgulhoso em seu olhar era impossível de esconder.
Enquanto conversavam, mais visitantes se aproximavam para fotografar a peça e pedir informações. Alguns empresários aguardavam discretamente a vez de falar com Helena, interessados em possíveis contratos.
Foi então que Laura apareceu.
Elegante em um vestido claro e segurando uma taça de espumante, ela caminhou observando cada detalhe do estande até parar diante da escada. Seus olhos demonstraram surpresa genuína antes mesmo de encontrar Helena.
— Então era isso que vocês estavam escondendo… — disse ela com um sorriso admirado.
Helena se aproximou.
— Gostou?
Laura soltou uma pequena risada, ainda olhando para a estrutura iluminada.
— Gostei? Helena, isso está espetacular. Sinceramente, onde foi que você escondeu tanto talento esse tempo todo?
O elogio veio carregado de sinceridade, e por um instante Helena apenas sorriu, tentando esconder a emoção que aquelas palavras despertaram nela. Afinal, depois de tantas dúvidas e medos, ouvir aquilo diante de uma feira inteira parecia quase uma confirmação silenciosa de que finalmente estava ocupando o lugar que sempre deveria ter sido seu.
Logo depois, Helena apresentou Laura aos tios e primos.
— Bernardo e Bianca! Como no filme? — Perguntou Laura divertida.
— É coisa da minha mãe. — Disse Bernardo um pouco envergonhado sempre que alguém fazia referência do nome deles ao desenho animado.
— Ela adorava esse desenho. — Completou Bianca.
Depois desse momento de descontração, a conversa, que começou de forma cordial, acabou naturalmente migrando para negócios.
Laura descobriu que Renato atuava no ramo imobiliário e administrava uma incorporadora consolidada no mercado. Mas foi Bernardo quem realmente despertou sua atenção.
— Estou começando uma startup na área de tecnologia — comentou ele, enquanto ajustava a manga da camisa. — Ainda estamos na fase de expansão, mas o projeto tem crescido rápido.
Os olhos de Laura se iluminaram imediatamente.
— Tecnologia em qual segmento?
Bernardo pareceu surpreso pelo interesse genuíno dela.
— Soluções inteligentes para gestão empresarial e automação de processos. A ideia é integrar IA e análise de dados para reduzir custos operacionais.
Laura ergueu levemente as sobrancelhas, claramente interessada.
— Isso tem um potencial enorme. Principalmente para grandes empresas e incorporadoras.
— Exatamente o que pensei — respondeu ele, animando-se. — O mercado ainda está muito atrasado nesse setor.
Os dois começaram a trocar ideias com naturalidade, discutindo tendências, investimentos e possibilidades de expansão. Helena observava a cena com surpresa, raramente via Laura tão envolvida em uma conversa.
— Você entende bastante da área — comentou Bernardo, impressionado.
Laura sorriu de lado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Proibida de Amar Meu Marido