Do outro lado, Helena permanecia deitada de lado, de costas para ele com os olhos fechados. Mas o sono não vinha.
Ela conseguia sentir a presença de Eduardo mesmo à distância. O leve toque das teclas do notebook e a consciência constante de que ele estava ali tão perto, mas ao mesmo tempo tão distante.
O coração dela batia mais rápido do que deveria. E, Helena começou a perceber que o verdadeiro perigo talvez não fosse Eduardo continuar frio e distante. Mas sim o momento em que ele deixava de ser.
*****
Helena já dormia quando Eduardo finalmente fechou o notebook.
O quarto estava mergulhado em silêncio, embalado apenas pelo som distante da chuva fina lá fora.
Ele levantou-se devagar e caminhou até a cama. Por alguns instantes, permaneceu apenas observando Helena dormir.
A luz suave iluminava parcialmente o rosto dela, revelando a expressão tranquila, os cabelos espalhados pelo travesseiro e a beleza desarmante de seus traços.
Ela estava linda. Perigosamente linda.
Eduardo sentiu o peito se contrair. O olhar desceu involuntariamente pelo contorno suave do corpo sob a manta e, por um instante, uma vontade intensa o atingiu.
Vontade de se inclinar, de tocar seus cabelos. De despertar Helena lentamente com beijos e carícias até fazê-la esquecer qualquer distância entre eles.
A mandíbula dele travou imediatamente. Antes que aquele desejo perigoso crescesse ainda mais, Eduardo desviou os olhos e passou a mão pelo rosto num gesto de irritação consigo mesmo.
Sem hesitar, foi direto para o banheiro. Fechou a porta e despiu-se rapidamente, momentos depois, entrou sob a água gelada.
A água caiu forte sobre seus ombros como um choque brutal. Mas nem o frio foi suficiente para afastar completamente os pensamentos que insistiam em voltar.
Eduardo fechou os olhos com força enquanto a água escorria pelo rosto e pelo corpo. Aquilo estava começando a fugir do controle.
*****
O sol da manhã entrou discretamente pela fresta da cortina, espalhando uma luz dourada e suave pelo quarto.
A chuva havia cessado durante a madrugada e, do lado de fora, os pássaros cantavam entre as árvores ainda úmidas da chácara, como se anunciassem o fim da chuva.
Dentro do quarto, porém, o silêncio era absoluto.
Eduardo despertou lentamente ao sentir um calor agradável junto ao corpo. Por alguns segundos, ainda sonolento, permaneceu imóvel. Então percebeu, Helena estava aninhada contra ele outra vez.
Durante a noite, em algum momento inconsciente, os dois haviam acabado novamente abraçados, como se existisse algo silencioso e inevitável atraindo um para o outro enquanto dormiam.
Eduardo sentiu Helena se mover levemente, procurando mais aconchego contra ele sem despertar.
As mãos delicadas dela repousavam sobre seu peito. Os braços dele permaneciam ao redor dela.
Por um instante, Eduardo ficou completamente imóvel. Sentia a respiração leve e quente de Helena contra seu peito, o perfume suave dela e a maciez dos cabelos espalhados próximos ao seu rosto.
Uma sensação estranha de paz o atingiu de forma inesperada. Lentamente, seus olhos desceram para o rosto adormecido dela.
Helena parecia tranquila. Como se, mesmo sem perceber, tivesse encontrado proteção nos braços dele.
Eduardo apertou discretamente os braços ao redor dela antes de fechar os olhos por um breve instante. Aquilo era perigoso demais, e o pior… era perceber que não queria se afastar.
O calor do corpo de Helena encaixado ao dele parecia estranhamente natural, confortável de um jeito que o deixava inquieto. Então ele sentiu um leve movimento.
Helena despertava lentamente. Ainda sonolenta, ela se aconchegou mais por reflexo antes de abrir os olhos devagar.

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