Naquela noite, na chácara, Helena recolheu-se mais cedo ao quarto, alegando dor de cabeça. Na verdade, era apenas uma desculpa para evitar as conversas familiares.
O dia havia sido surpreendentemente agradável.
Depois da tempestade, o sol finalmente surgira forte e iluminou a propriedade inteira, deixando o ar fresco e agradável. Aproveitando o tempo firme e sob a insistência animada de Carmen, Eduardo passou boa parte da tarde ensinando Helena a cavalgar.
Para sua própria surpresa, ela aprendera rápido.
No início, permaneceu insegura, agarrada às rédeas e tensa sobre a sela, mas aos poucos foi relaxando. Com a orientação firme e paciente de Eduardo, já conseguia conduzir a égua em pequenos trotes ao redor da pista.
E Eduardo…Helena fechou os olhos por um instante ao lembrar. Ele estivera completamente diferente. Paciente, atento e cuidadoso com sua segurança.
Durante toda a tarde, manteve-se ao lado dela, corrigindo sua postura, segurando suas mãos sobre as rédeas e orientando cada movimento com calma incomum.
Olívia e Carmen trocaram vários sorrisos discretos ao observarem os dois juntos. Até Gilberto pareceu notar a mudança no filho.
Agora, deitada na cama, Helena observava silenciosamente o teto do quarto na expectativa de que não chovesse mais naquela noite. Se o tempo permanecesse firme, provavelmente conseguiriam voltar para a cidade no dia seguinte.
E aquilo deveria deixá-la feliz. Mas, estranhamente, um aperto silencioso surgiu em seu peito. Porque Helena sabia que, assim que retornassem para a cidade, Eduardo voltaria a ser o homem frio, distante e inalcançável de sempre. Como se aqueles momentos na chácara nunca tivessem existido.
Imersa nesses pensamentos, os minutos, talvez horas passaram sem que Helena percebesse, em algum momento, vencida pelo cansaço, acabou adormecendo.
Não soube dizer que horas Eduardo entrou no quarto. No meio da madrugada, porém, despertou lentamente.
O quarto estava silencioso, iluminado apenas pela luz suave do abajur ao lado da cama. Ainda sonolenta, virou-se instintivamente e percebeu o espaço vazio ao seu lado.
Helena franziu levemente a testa e se sentou na cama, olhando ao redor. Eduardo não dormia ao seu lado, ele estava deitado no pequeno sofá do quarto, acomodado de qualquer jeito em uma posição claramente desconfortável. As pernas longas mal cabiam ali, e um dos braços estava dobrado sob a cabeça.
Ela soltou um suspiro baixo, tomado por um silencioso desalento. Ele realmente preferira dormir naquele sofá apertado a correr o risco de voltar a dormir abraçado com ela.
Por alguns segundos, ficou observando-o em silêncio, dividida entre acordá-lo ou não, mas no fim desistiu. Era uma escolha dele manter distância.
Helena voltou a se deitar devagar, embora não conseguisse fechar os olhos imediatamente. Seu olhar permanecia preso nele.
Mesmo naquela posição desconfortável, Eduardo parecia absurdamente bonito. O rosto relaxado perdera parte da rigidez habitual, e a luz tênue suavizava seus traços fortes, deixando-o quase sereno. Tão diferente do homem frio e controlado que insistia em mostrar ao mundo.
O peito de Helena apertou de leve, ela se levantou e pegou uma manta, a madrugada estava mais fria e aproximou-se devagar, teve vontade de tocar o rosto dele, mas se conteve e apenas o cobriu com a manta, depois de observá-lo dormir.
Depois voltou para a cama e ficou observando-o em silêncio até que, pouco a pouco, o sono voltou a vencê-la.
*****
Na manhã seguinte, ao despertar, Helena voltou os olhos instintivamente para o sofá. Eduardo já não estava mais lá. A manta com que ela o cobrira durante a madrugada estava dobrada sobre o encosto.
Helena desviou os olhos e olhou o relógio sobre a mesa de cabeceira. Ainda era cedo.
Pela fresta da janela, o sol já brilhava forte, iluminando o quarto e anunciando finalmente um dia de tempo firme.
Depois de se arrumar, desceu para o café da manhã e encontrou apenas Olívia e Carmen à mesa.
As duas conversavam tranquilamente.
— Bom dia. — Helena cumprimentou com um leve sorriso.
— Bom dia, querida. — Carmen respondeu imediatamente, calorosa como sempre.

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