Num piscar de olhos, o domingo do aniversário dos avós chegou.
Helena não havia retornado para casa, também não tivera notícias de Eduardo. Ele não ligou uma única vez e, ela também não entrou em contato.
No fim de semana, Helena e Clara estiveram ocupadas recebendo parentes que vieram de outras cidades para a comemoração. Irmãos de Margarida e Rubens, primos distantes, filhos e netos que raramente conseguiam se reunir, mas que fizeram questão de estar presentes para celebrar os oitenta anos de Margarida e os oitenta e cinco de Rubens.
Parte da família ficou hospedada na casa de Clara; os demais, na casa de Renato.
Na noite anterior, todos haviam se reunido para um grande jantar na casa de Renato, cheio de conversas, risadas e lembranças antigas. E naquela manhã, a família inteira estava reunida na igreja para a missa de ação de graças.
Rubens e Margarida ocupavam os lugares de destaque no primeiro banco, visivelmente emocionados. Ao lado deles estavam Renato, Glória e os filhos, Bernardo e Bianca. Clara permanecia sentada próxima da mãe, conversando discretamente com uma das tias.
Mais atrás, Helena reconheceu Laura sentada ao lado de Cláudia e Amanda. Célia também estava presente com o marido e o filho adolescente.
A igreja estava especialmente bonita naquela manhã. A luz suave atravessava os vitrais coloridos, espalhando tons dourados e azulados pelo interior silencioso.
Helena estava posicionada junto ao órgão da igreja. Seria responsável pela música da celebração, como tantas vezes fizera.
Usava um vestido branco de corte simples e elegante, que realçava sua delicadeza natural sem chamar atenção excessiva.
Pouco antes do início da missa, ela revisava calmamente a partitura diante do órgão quando percebeu um murmúrio diferente se espalhando pela igreja.
Algumas pessoas começaram a olhar para a entrada. Helena ergueu os olhos distraidamente… e parou.
Eduardo acabava de entrar na igreja ao lado dos pais. Por um instante, ela simplesmente ficou imóvel.
Ele caminhava pelo corredor central com a postura elegante de sempre, impecável em um terno cinza-claro que contrastava com a seriedade habitual de sua expressão. Ao seu lado, Gilberto mantinha a postura discreta, enquanto Olivia parecia visivelmente satisfeita por estar ali.
Eduardo aproximou-se primeiro dos avós de Helena, cumprimentando Rubens e Margarida com respeito. Depois falou com Renato, Glória e Clara, que claramente não escondiam a surpresa diante de sua presença inesperada.
Então ele ergueu os olhos e olhou diretamente para Helena.
Ela ficou literalmente sem reação. Havia algo diferente naquele olhar, difícil de decifrar. Eduardo lhe ofereceu um leve sorriso antes de seguir até o banco onde os pais haviam se acomodado.
Olívia, por sua vez, lançou um sorriso radiante para Helena, claramente feliz.

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