Ao fim da missa, a igreja foi lentamente tomada pelo som de conversas, cumprimentos e risos discretos. Padre Ângelo permaneceu alguns minutos próximo ao altar recebendo os familiares, enquanto os convidados começavam a deixar os bancos e seguir para fora.
Do lado de fora, o movimento aumentava. Os carros começavam a partir em direção ao clube onde a família havia alugado um grande salão para o almoço comemorativo.
Helena ainda permaneceu alguns minutos junto ao órgão organizando as partituras e conversando brevemente com alguns músicos da igreja.
Quando finalmente ergueu os olhos, percebeu que a igreja estava quase vazia. E então viu que Eduardo continuava ali.
Sentado ao lado dos pais, visivelmente esperando por ela.
Olivia conversava algo baixo com Gilberto, mas vez ou outra lançava olhares discretos na direção do filho e de Helena, claramente satisfeita.
Por alguns segundos, Helena ficou parada sem saber exatamente o que fazer. Eduardo então se levantou devagar, ela percebeu o instante exato em que os olhos dele se fixaram nela outra vez.
Helena desceu os poucos degraus próximos ao órgão. Quando ela se aproximou, Olivia abriu um sorriso caloroso.
— Helena, minha querida… você estava maravilhosa.
Helena sorriu com delicadeza.
— Obrigada, Olivia.
— Aquilo não foi apenas cantar. Foi emocionante. — Olívia levou a mão ao peito dramaticamente. — Acho que chorei no salmo inteiro.
Gilberto soltou um pequeno riso discreto.
Helena corou levemente, sem graça. Então seus olhos encontraram os de Eduardo e por um breve instante, o silêncio entre eles pareceu estranho demais depois de tantos dias.
Foi ele quem falou primeiro.
— Foi muito bonito. — A voz dele saiu baixa, sincera.
Helena piscou surpresa.
— Eu… Obrigada.
Eduardo sustentou o olhar nela por alguns segundos.
— Gilberto, querido, vamos indo na frente.
— Nos encontramos no clube. — Disse Gilberto
— Claro. — Respondeu Eduardo
Antes de sair, Olivia ainda segurou discretamente a mão de Helena.
— Não demorem muito.
E então os dois seguiram em direção à saída da igreja, deixando Helena e Eduardo praticamente sozinhos no enorme silêncio da igreja.
Helena observou Olivia e Gilberto se afastarem lentamente pelo corredor central antes de voltar os olhos para Eduardo.
Foi ele quem quebrou o silêncio primeiro.
— Quando minha mãe soube do aniversário dos seus avós, fez questão de vir.
Helena o encarou surpresa. Seus olhos se arregalaram levemente diante da explicação inesperada.
— Obrigada… por ter vindo. — disse ela em voz baixa. — Pensei que não viria.
Eduardo sustentou seu olhar por alguns segundos antes de responder:
— Eu recebi o convite.
A resposta simples carregava mais significado do que as palavras deixavam transparecer. Por um instante, o silêncio voltou a se instalar entre os dois. Então Eduardo fez um pequeno gesto em direção à saída.
— Vamos?
Helena apenas assentiu e passou por ele lentamente e os dois deixaram a igreja lado a lado.
Do lado de fora, quase todos os carros já haviam partido em direção ao clube. Restava apenas Nelson, que aguardava próximo ao carro com a discrição habitual.
Assim que viu o casal se aproximando, abriu imediatamente a porta traseira.
Helena entrou primeiro. Eduardo deu a volta no veículo e sentou-se ao lado dela logo em seguida.
O trajeto até o clube foi curto e silencioso.
Helena mantinha as mãos unidas sobre o colo, sem saber exatamente o que dizer depois de tantos dias afastados. Já Eduardo parecia mergulhado nos próprios pensamentos, sem fazer esforço para quebrar a distância silenciosa entre eles.
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