A festa prosseguiu animada, tomada pelo som das conversas e da música suave da banda ao fundo. Depois de alguns minutos à mesa, Helena pediu licença para dar atenção aos convidados, deixando Eduardo com os pais.
— Já volto. — disse ela antes de se afastar entre as mesas.
Olivia observou a nora cumprimentar parentes e amigos com naturalidade antes de levar a taça de vinho aos lábios.
— Sabe de uma coisa?
Gilberto e Eduardo voltaram os olhos para ela, curiosos. Olivia sorriu discretamente enquanto observava o salão ao redor.
— Isso sim é uma festa de verdade.
Eduardo arqueou levemente a sobrancelha, e ela continuou:
— Olhem em volta. Pessoas conversando animadamente, sem medo de parecer inadequadas. Crianças correndo e brincando… famílias rindo alto… ninguém preocupado em seguir regras ou etiquetas o tempo inteiro.
Ela soltou uma pequena risada.
— Nada daqueles jantares engessados onde até os sorrisos parecem ensaiados.
Gilberto observou o ambiente em silêncio, concordando discretamente. Eduardo então deixou o olhar percorrer o salão e percebeu que sua mãe tinha razão.
O clima ali era completamente diferente do ambiente sofisticado e impecavelmente controlado em que vivia. As pessoas conversavam de forma espontânea, às vezes alto demais, interrompiam umas às outras, riam sem se preocupar com postura ou formalidades.
Mas havia algo genuíno em tudo aquilo, verdadeiramente feliz.
Então seus olhos pousaram em Helena.
Ela conversava com Cláudia, Amanda e Laura completamente descontraída e espontânea. Helena ria de verdade, um sorriso autêntico, sem aquele cuidado constante em parecer perfeita ou discreta.
Pouco depois, ela voltou a circular pelo salão, cumprimentando os convidados, e fazia tudo com um sorriso genuíno, nada de contido de uma gentileza ensaiada. Aquela era Helena, talvez… a verdadeira Helena.
*****
Logo depois que o almoço foi servido, o clima da festa mudou. Embalados pela bebida e pela banda, que agora tocava sucessos animados dos anos setenta e oitenta, os convidados pareciam ainda mais descontraídos.
Rubens e Margarida, na mesa de destaque, observavam com diversão os mais jovens que começavam a lotar a pista de dança.
Helena havia retornado para a mesa e almoçou ao lado dos sogros e de Eduardo.
— Acho que nunca participei de uma festa tão animada. — comentou Olívia, sorrindo. — Dá até vontade de dançar também.
Gilberto lançou um olhar divertido para a esposa e abriu um sorriso discreto.
— Você dançando esse tipo de música? Admito que gostaria de ver.
Olívia arqueou a sobrancelha, fingindo indignação.
— Está achando que eu não tenho coragem?
Ela tomou mais um generoso gole de vinho e virou-se para Helena.
— Helena, vamos dançar?
Helena a encarou surpresa. Olívia já se levantava da cadeira quando estendeu a mão em sua direção, insistindo com entusiasmo.
— Tudo bem.
Helena aceitou a mão dela e as duas seguiram para a pista, onde Claudia, Amanda e Laura já dançavam animadamente ao ritmo da música.
No começo, Olívia tentou acompanhar os passos das mais jovens, arrancando risos de todos ao se atrapalhar com o ritmo. Mas, depois de alguns instantes, ela simplesmente se soltou, deixando a vergonha de lado e dançando de forma leve e espontânea. Helena também ria enquanto dançava, descontraída como há muito tempo não se sentia.
Eduardo observava a cena em silêncio. A leveza dos movimentos de Helena, a forma natural e quase involuntariamente sensual com que ela dançava, fizeram seu maxilar se contrair de maneira tensa.
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Depois de dançarem bastante, Olívia voltou para a mesa visivelmente cansada. Pegou um copo de água e bebeu alguns goles antes de se sentar novamente.
— Acho que nunca me diverti tanto.


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