Alice mostra as fotos de Lily para a família de Richard e conta como foi a vida dela desde o nascimento. Todos ficam muito interessados em suas histórias, o que a faz ficar à vontade naquele lugar. Ao contrário do que pensou em como seria tratada naquela casa, se surpreende em como a família de Richard é calorosa e atenciosa.
— O que gosta de comer, Alice? Pedirei que façam algo que goste para o jantar — Meredite menciona.
— Não precisa se importar com isso, senhora, creio que não jantarei aqui e sim no hotel — responde.
— Hotel? Como assim? — Abraham pergunta surpreso.
— O Richard já reservou um hotel para mim — informa.
— Que história é essa, Richard? — Abraham olha para o filho que está no canto da sala conversando com Steve. — Por acaso está querendo que a sua filha e a mãe dela fiquem num hotel, mesmo sabendo que a nossa casa tem vários quartos disponíveis?
Richard se aproxima inquieto, pois não sabia que a sua família ficaria tão próxima de Alice a ponto de questionar sobre aquilo.
— Ela se sentirá mais à vontade no hotel — responde.
— Como uma mulher com um bebê de colo ficará mais à vontade num hotel? Não existe isso — Elis contesta, demonstrando estar contrariada com a decisão do irmão.
— Eu não falo em relação a isso, Elis — Richard protesta, alterando a voz. — Alice quer privacidade, se vocês não entendem.
— Parem de discutir — Meredite pede. — Os dois tem razão, creio que Alice prefira ficar num lugar onde fique à vontade, mas a Elis está certa em dizer que ficar com uma bebê num hotel não é recomendado.
— Que tal ficar na edícula? — Abraham sugere.
— Não precisam se incomodar com isso, eu não me importo em ficar no hotel com a Lily, ainda mais porque será por pouco tempo — responde Alice, querendo não causar nenhum transtorno naquela casa.
— O Abraham tem razão, a edícula é perfeita — Meredite diz, ignorando a fala da moça. — Lá é um belo lugar onde terá privacidade e poderá cuidar da Lily tranquilamente.
— Que bom que o papai e a mamãe têm um pouco de noção, porque se for depender do Richard, a estadia das duas aqui em São Francisco será péssima.
— Richard, peça que as malas das duas seja levada para a edícula, acredito que elas irão querer descansar antes do jantar — Abraham diz, saindo da sala.
Mesmo que esteja gostando da hospitalidade da família Carter, Alice não se sente bem ao ver que Richard não está nada satisfeito com aquela ideia. Porém, não estava disposta a falar nada com ele. Foi ele que quis trazê-la ali até ali, então teria que resolver aquela questão por conta própria.
Já na edícula que ficava nos fundos da mansão, Alice se sente muito confortável. O lugar é pequeno, mas bem compartilhado. Há uma pequena cozinha planejada com vários eletrodomésticos, conjugada com uma sala, onde havia um sofá de dois lugares, um tapete felpudo de cor cinza no chão, uma televisão presa na parede e um aparador com algumas fotos da família Carter. Também havia uma suíte arejada com uma cama grande e um armário espaçoso e um banheiro com uma banheira de hidromassagem onde havia tomado banho com Lily, que pegou no sono após o banho. A suíte tinha uma varanda que dava acesso às duas piscinas da casa e ao jacuzzi. Realmente, não podia negar que aquele lugar era muito mais confortável que um hotel, mas sabia que devia ir embora a qualquer momento. Alice estava cansada da viagem e resolveu se deitar na cama com a filha. Após alguns minutos, pega no sono, abraçada à pequena bebê.
[…]
Na varanda da mansão principal, Richard está sentado, olhando de longe para a edícula onde Alice estava. Ele queria ir até ali ver a filha e conversar com Alice também, mas sabia que naquele momento ela deveria estar descansando.
— Oi, Richard — Elis chega na varanda e cumprimenta o irmão, sentando-se ao lado dele. — Deixa eu adivinhar o que você está pensando. Quer arranjar uma desculpa para ir até a edícula — brinca, mas recebe um olhar de reprovação do irmão.
— Sim, eu me lembro que está noivo de uma pessoa que não ama só por tirar o cabaço dela.
— Elis! — repreende-a.
— Estou mentindo por acaso?
— Não é só por isso, Elis, tire isso de sua cabeça.
— Sei que não é só por isso, o Steve me contou que você tem dó da “santa” Madeline — usa voz de ironia ao enunciar a palavra santa. — E se preocupa de que ela vá passar vergonha na frente da família e amigos, só porque já anunciou o noivado na frente de todos — revela.
— Você não se sentiria envergonhada se o Steve te desse um pé na bunda, praticamente nas vésperas do seu casamento?
— Sim, Richard, eu ficaria, mas o seu caso é diferente. Quem fez questão de anunciar tudo entre vocês na frente de todos foi a Madeline. Vocês ainda nem haviam se acertado direito e ela já contou estar noiva e pediu para os pais prepararem um jantar para a família e amigos. Acredito que ela tenha feito isso já na intenção de te deixar assim, com medo de romper o noivado só para não a constranger.
— Sendo isso ou não, eu fiz o compromisso e preciso honrá-lo até que ela perceba que se casar comigo é um erro.
— Então, vai esperá-la terminar com você para ir atrás da Alice? — questiona, mas recebe o silêncio como resposta. — Tudo bem, irmãozinho, faça como quiser, mas tenha em mente uma coisa. Se continuar tratando a Alice do jeito que observei estar tratando, creio que, mesmo estando solteiro, ela não irá querê-lo nem pintado do ouro. — Elis diz e se levanta dali, deixando-o com seus pensamentos.
Richard dá um soco no ar, percebendo que as chances daquilo realmente acontecer são bem grandes.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido CEO, seu bebê quer te conhecer!