O fato de Adrian ser tão carinhoso e atencioso com ela a deixa perturbada.
— Por que você não pode ser assim comigo, Richard? — ela sussurra, enquanto sente o gosto salgado das lágrimas chegando em seus lábios.
O som do seu choro ecoa pela enorme e vazia casa, e ela se pergunta se aquele sofrimento já é um castigo pelas mentiras que inventou.
Sentindo uma culpa esmagadora no peito, ela caminha em direção à garagem e pega seu carro. Não quer ficar sozinha naquela casa, especialmente após um dia tão maravilhoso. Dirigindo em direção à mansão dos Carter, Madeline se prepara para encarar Richard e confrontá-lo.
Ao bater na porta da mansão dos sogros, é recebida por Elis, que ao vê-la, lança-lhe um olhar de desprezo.
— Como ousa aparecer aqui? — Elis pergunta, deixando transparecer o quanto está insatisfeita com sua presença.
— Vim falar com seu irmão — responde Madeline, ignorando o desprezo nos olhos de Elis.
— Não basta o inferno que você causou a ele nas últimas horas?
— Preciso falar com Richard, Elis, apenas diga a ele que estou aqui — declara, ignorando todas as acusações.
— Não vou deixar que se aproxime do meu irmão depois das mentiras que contou sobre ele — dispara Elis. — Você já conseguiu o que queria, não basta? Vai se casar com Richard e exibi-lo como um troféu, então não o procure até o dia do maldito casamento.
— Já disse que quero falar com Richard! — Madeline grita, empurrando Elis para abrir caminho e entrar na mansão. O barulho das vozes alteradas chama a atenção dos outros presentes na sala. Quando percebem a presença de Madeline, todos ficam sérios. Abraham, Meredite, Steve, e os gêmeos, a encaram como se ela fosse um intruso indesejado.
— Onde está Richard? — pergunta Madeline, sem cerimônia.
— Meu filho voltou para Nova York — responde Abraham.
— O quê? — indaga, surpresa com a notícia.
— Você acha que o fato de ele se casar com você o prenderá aqui? — pergunta Elis, aproximando-se dela. — Richard está com sua verdadeira família — confessa.
— Sim, é verdade — Meredite acrescenta. Todo o carinho e afeição que sentia por Madeline havia se esvaído, e agora ela não a suporta depois da cena que fez diante do casal Jones. — Não pense que, por se casar com o Richard, ele vai renunciar à mulher e à filha que ama. Você terá o que deseja, Madeline, mas nunca será feliz com o que não é seu.
— Sogra… — Madeline sussurra, abalada pelas duras palavras da mulher que sempre a tratou com doçura.
Não estava previsto chover naquele dia, mas agora a chuva caía com força. Madeline abre a porta do carro e sai, deixando que a chuva a lave por inteiro. A estrada está escura, sem sinal de casas por perto. Ela está sozinha. Não, ela está com Deus.
Olhando para o céu, ela pede desculpas por suas ações e roga que aquela água gelada que cai sobre seu corpo a purifique de toda a sujeira acumulada em sua alma.
— Quero ser limpa — sussurra, antes de fechar os olhos e fazer uma prece sincera. Após isso, ela retorna ao carro. Não se importa em molhar o banco de couro, só quer dirigir para o único lugar onde sabe que se sentirá bem e acolhida.
As ruas parecem diferentes à noite, e por isso demora para encontrar a pequena casa de cor branca, meio amarelada pela tinta desgastada. Ela estaciona o carro de qualquer jeito e desce correndo.
Sabe que está tarde e que Adrian já pode estar dormindo por conta do cansaço. Ele havia trabalhado toda a noite de sábado em sua casa e mesmo assim fez questão de estar com ela naquele domingo. Com certeza, ele estava exausto.
Mesmo já estando molhada, tem pressa em bater na porta, que se abre após três batidas.
— Madeline? — A voz surpresa de Adrian condiz com a expressão em seu rosto, que está confuso por vê-la naquele estado.
— Sei que leva tempo para gostar de alguém, mas parece que você acaba de ultrapassar esse limite — ela declara, dando um passo à frente, se aproximando o suficiente para envolver os braços ao redor do pescoço de Adrian. — Posso ficar aqui esta noite? — Pede, antes de unir seus lábios aos dele.

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