Sentir que as coisas poderiam dar certo dali para a frente foi o que moveu Alice nos meses seguidos. Ela havia levado Lily para casa e cuidado da criança por alguns meses, até que sentiu que já estava na hora de se mudar. Seu pai havia vendido o apartamento em Londres e conseguiu comprar um para ela no mesmo edifício em que morava, assim se tornariam vizinhos. O que foi de certo modo alívio, já que sua mãe diminuiu a carga horária de trabalho para ficar mais tempo com Lily, para que Alice pudesse sair para procurar emprego, o que ainda não havia conseguido.
Mesmo sem o emprego fixo, Alice já havia se mudado para o seu apartamento e estava vivendo de trabalhos que conseguia como freelancer, pois muitas pessoas lhe procuravam para fazer alguns projetos. E assim as coisas se seguiram, até que Lily completou seis meses.
Era uma manhã de terça-feira e Alice começou a preparar a bolsa da filha que estava dormindo. Ela sairia para uma entrevista de emprego e deixaria a bebê com a avó, que amava o tempo que passava com a neta.
— Mãe, já chegamos — diz Alice, entrando no apartamento da mãe.
— Estou aqui no quarto, querida — Silvia diz. — Como vocês estão hoje? — Pergunta, dando um beijo na testa da filha e outro na testa da neta.
— Muito bem — Alice responde, colocando a filha que está dormindo em cima da cama da mãe. — Agora, essa mocinha ficou acordada a noite toda.
— Deixe-a, quando você era bebê fazia do mesmo jeito.
— Estou tão contente, pois, apesar de ter nascido prematuramente, Lily não apresentou atrasos no desenvolvimento nem sequelas.
— Isso é o milagre de Deus minha querida, a Lily é muito forte e esperta.
Alice beija a filha e a observa dormir. Cada dia que passa, Lily se parece mais com Richard. Seus cabelos pretos bem lisinhos já caem sobre a testa e realça seus olhos azuis enormes, a boca também parece a do pai, principalmente quando sorri.
Alice coloca algumas almofadas ao redor da cama para que a filha não possa rolar e cair da mesma.
— Estou indo agora, tenho uma entrevista para fazer e dessa vez estou bem mais confiante — Alice anuncia.
— Espero que ocorra tudo bem, meu amor, você é uma ótima profissional.
— De qualquer forma, irei entregar mais currículos por aí, então devo chegar bem perto do almoço.
— Não se preocupe, qualquer coisa te aviso.
Quando chega no estacionamento de seu prédio, pega o bolo e entra no elevador. Enquanto se olha no espelho, sente novamente seu coração ficar inquieto, como se algo estivesse prestes a acontecer.
— O que está acontecendo, Alice? Por acaso, vai dar um treco logo agora? — Pergunta para o seu reflexo no espelho.
Ela sai do corredor e caminha em direção ao apartamento da mãe, com o coração pesado. Aquilo a faz se preocupar sobre Lily, com medo de que houvesse acontecido algo com a bebê. Rapidamente, ela digita a senha do apartamento da mãe, mas não consegue abri-lo. Alice está tão nervosa que não consegue se lembrar da senha. Então ela b**e na porta e espera que alguém abra. Alguns segundos após, Silvia abre a porta e, quando vê a filha, a olha com o olhar arregalado.
— Mãe, aconteceu alguma coisa com a minha filha? — Alice pergunta aflita, sem perceber que na sala há alguém sentado com Lily nos braços.
— Ela está bem, querida — Silvia responde com a voz trêmula.
Então, Alice entra com o bolo nas mãos e, quando vê a pessoa que está ali sentada, perde a força dos músculos e deixa o bolo cair.
— Richard?

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido CEO, seu bebê quer te conhecer!