STELLA HARPER
— O que esses bastardos fazem na minha casa?!
Apollo agarrou meu braço com força. Orion enterrou o rosto na lateral da minha perna. O instinto de protegê-los foi imediato e passei um braço pelos ombros de cada um, puxando-os para mais perto de mim.
— William, por favor! — Elaine exclamou, avançando um passo. — Você vai assustar as crianças.
Ele ignorou, com os olhos fixos em mim, duros como pedra.
— Então é você... — disse, a voz coberta de desprezo. — Você é a vadia que conseguiu prender meu filho e arruinar o futuro dele?
Senti o sangue ferver. Respirei fundo, tentando manter o controle.
— Senhor Winter, eu não aceito que fale assim na frente dos meus filhos — respondi, dignamente, embora minhas mãos tremessem ao segurar os meninos.
Ele riu sem humor.
— Não me faça rir. Está vendo isso Elaine? Damian sempre teve tudo ao alcance das mãos, e veja o que fez: trouxe dois bastardos para manchar o nome da família!
Lizzy soltou um suspiro indignado.
— Pai, pelo amor de Deus! Eles são crianças! Você está sendo cruel.
William bateu a mão na mesa outra vez, fazendo os objetos tremerem.
— Fique fora disso, Elizabeth. Você não dá nenhuma importância para a honra dessa família e não sabe o que é importante!
— O que é importante é o coração de duas crianças inocentes — rebateu Elaine, com a voz surpreendentemente firme. — Você não tem o direito de tratá-los assim.
Orion começou a chorar silenciosamente, com o rosto escondido no meu braço. Orion apertou ainda mais minha mão, os olhinhos marejados. Aquele era o limite.
— Não tem motivos para ficarmos ouvindo isso — declarei. — Vamos embora.
Virei-me para sair, abraçando os dois. Elaine tentou intervir.
— Stella, espere…
— Não, Elaine — falei, ainda controlando a raiva. — Eu não vou deixar que meus filhos sejam tratados assim.
Saí do escritório, sentindo as pernas quase falharem, mas mantive a cabeça erguida. Os seguranças abriram caminho até o carro. Coloquei os meninos no banco de trás, tentando acalmá-los com um sorriso que estava longe de alcançar meus olhos.
— Vai ficar tudo bem, meus amores — murmurei, ajeitando o cinto de Orion. — A mamãe está aqui.
Antes que eu fechasse a porta, Lizzy surgiu correndo, com seu rosto corado de nervoso.
— Esperem! — Ela abriu a porta e entrou no banco ao lado dos meninos, ainda ofegante. — Que bom que o carro de vocês é espaçoso assim. — Comentou aleatoriamente e se virou para Apollo e Orion, forçando um sorriso animado. — Ei, vocês dois… o vovô é um homem bravo, sabiam? Vive gritando comigo também. Mas ele não odeia vocês, eu juro. Ele só está bravo com outras pessoas.
Olhei para ela, captando o subtexto. Outras pessoas. Eu e Damian.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!