DAMIAN WINTER
Passava um pouco das dez da manhã quando deixei o apartamento. Danian, estava animado com a perspectiva de ver os avós e falava sem parar no banco de trás. Ao contrário de mim, que estava bem tenso com a conversa que eu e meu pai teríamos. Tenho o pressentimento de que vamos ter uma discussão feia hoje.
A casa dos meus pais parecia ainda maior naquela manhã, sinceramente, não era minha vontade que a relação com meu pai estivesse tão desgastada, mas era impossivel ser de outro jeito já que ele quer governar a minha vida. O portão abriu lentamente, e o carro avançou pela alameda ladeada de árvores. Estacionei, respirei fundo e me voltei para Danian.
— Pronto para brincar um pouco com a vovó Elaine, campeão?
Ele assentiu, sorrindo. Peguei sua mão e o levei até a porta, onde minha mãe nos recebeu, radiante.
— Danian! — exclamou ela, abaixando-se para abraçá-lo. — Que saudade, meu amor.
Ele riu, agarrando-se ao pescoço dela.
— Posso deixá-lo aqui com você? — perguntei, depois de cumprimentá-la com um beijo na bochecha. — Preciso falar com o papai.
Ela pareceu querer dizer algo, mas apenas assentiu.
— Claro, querido. Vou preparar um chocolate quente para ele.
Afaguei o cabelo do meu filho antes de me afastar, indo em direção ao corredor principal até chegar na porta do escritório do WW. Bati três vezes e aguardei.
— Entre. — A voz grave soou de dentro.
Girei a maçaneta e o encontrei atrás da mesa de mogno, folheando alguns papéis. Ele ergueu os olhos, e neles havia a mesma frieza que sempre me recebeu desde quando eu era adolescente.
— Então resolveu aparecer — disse, sem levantar-se. — Espero que não tenha vindo me dizer que está escondendo outros filhos ilegítimos por aí.
Fechei a porta atrás de mim.
— Não vou tolerar esse tipo de comentário sobre Apollo e Orion. Eles são meus filhos.
Ele riu, curto e sem humor.
— Filhos, sim, mas são bastardos, Damian. Você ao menos pensou na reputação desta família antes de envergonhar seu sobrenome desse jeito?
Minha paciência começou a ruir mais rápido do que pensei.
— Eles não são uma vergonha, pai. A vergonha aqui é um homem feito tratar duas crianças inocentes como se fossem lixo. Apollo e Orion são ótimas crianças e quanto mais os conheço mais e encho de orgulho por terem meu sangue.
Ele largou os papéis e se recostou na cadeira, estreitando os olhos na minha direção.
— Você parece não entender o que significa a honra de um nome. Tudo o que construímos pode ruir quando alguém resolve se comportar como um adolescente irresponsável.
— Eu entendo muito bem o que significa carregar um nome — rebati, avançando um passo. — Mas pode ter certeza que Apollo e Orion são muito dignos de serem Winter e eu vou dar meu sobrenome para eles dois.
Meu pai bateu na mesa, levantando-se de súbito.
— Você ousa vir aqui me dizer uma barbaridade dessas?! Eu que trabalhei a vida inteira para que você tivesse cada oportunidade?


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!