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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 103

DAMIAN WINTER

Passava um pouco das dez da manhã quando deixei o apartamento. Danian, estava animado com a perspectiva de ver os avós e falava sem parar no banco de trás. Ao contrário de mim, que estava bem tenso com a conversa que eu e meu pai teríamos. Tenho o pressentimento de que vamos ter uma discussão feia hoje.

A casa dos meus pais parecia ainda maior naquela manhã, sinceramente, não era minha vontade que a relação com meu pai estivesse tão desgastada, mas era impossivel ser de outro jeito já que ele quer governar a minha vida. O portão abriu lentamente, e o carro avançou pela alameda ladeada de árvores. Estacionei, respirei fundo e me voltei para Danian.

— Pronto para brincar um pouco com a vovó Elaine, campeão?

Ele assentiu, sorrindo. Peguei sua mão e o levei até a porta, onde minha mãe nos recebeu, radiante.

— Danian! — exclamou ela, abaixando-se para abraçá-lo. — Que saudade, meu amor.

Ele riu, agarrando-se ao pescoço dela.

— Posso deixá-lo aqui com você? — perguntei, depois de cumprimentá-la com um beijo na bochecha. — Preciso falar com o papai.

Ela pareceu querer dizer algo, mas apenas assentiu.

— Claro, querido. Vou preparar um chocolate quente para ele.

Afaguei o cabelo do meu filho antes de me afastar, indo em direção ao corredor principal até chegar na porta do escritório do WW. Bati três vezes e aguardei.

— Entre. — A voz grave soou de dentro.

Girei a maçaneta e o encontrei atrás da mesa de mogno, folheando alguns papéis. Ele ergueu os olhos, e neles havia a mesma frieza que sempre me recebeu desde quando eu era adolescente.

— Então resolveu aparecer — disse, sem levantar-se. — Espero que não tenha vindo me dizer que está escondendo outros filhos ilegítimos por aí.

Fechei a porta atrás de mim.

— Não vou tolerar esse tipo de comentário sobre Apollo e Orion. Eles são meus filhos.

Ele riu, curto e sem humor.

— Filhos, sim, mas são bastardos, Damian. Você ao menos pensou na reputação desta família antes de envergonhar seu sobrenome desse jeito?

Minha paciência começou a ruir mais rápido do que pensei.

— Eles não são uma vergonha, pai. A vergonha aqui é um homem feito tratar duas crianças inocentes como se fossem lixo. Apollo e Orion são ótimas crianças e quanto mais os conheço mais e encho de orgulho por terem meu sangue.

Ele largou os papéis e se recostou na cadeira, estreitando os olhos na minha direção.

— Você parece não entender o que significa a honra de um nome. Tudo o que construímos pode ruir quando alguém resolve se comportar como um adolescente irresponsável.

— Eu entendo muito bem o que significa carregar um nome — rebati, avançando um passo. — Mas pode ter certeza que Apollo e Orion são muito dignos de serem Winter e eu vou dar meu sobrenome para eles dois.

Meu pai bateu na mesa, levantando-se de súbito.

— Você ousa vir aqui me dizer uma barbaridade dessas?! Eu que trabalhei a vida inteira para que você tivesse cada oportunidade?

— Está preocupado com a empresa, claro. Porque para você, tudo se resume a lucros, aparências e status. Você esquece dos individuos como pessoas.

— Pessoas não pagam contas, nem sustentam legados.

— Esse legado não vale nada para mim se fazem um avô chamar duas crianças de bastardos.

Ele franziu o cenho, como se minhas palavras fossem um idioma estrangeiro.

— Não seja melodramático. Se aquela vadia, a tal de Stella tivesse um mínimo de noção, teria evitado esse constrangimento.

Meu sangue ferveu de novo.

— Deixe Stella fora disso. Ela tem mais caráter no dedo mindinho do que o senhor teve a vida inteira.

Ele avançou um passo, e por um momento temi que fosse ultrapassar a linha que nunca cruzamos. Mas ele apenas parou.

— Se você não sabe colocar ordem na sua vida, eu vou ter que colocar na empresa — disse, baixo, ameaçando novamente com aquilo que ele achava ser a coisa mais importante da minha vida.

Foi ali que percebi: nada mudaria. Eu poderia passar anos tentando arrancar empatia de um coração de pedra. Sempre acabaria no mesmo ponto.

Endireitei os ombros, olhando-o nos olhos.

— Se é assim... — declarei, sem nenhum pingo de arrependimento pelas próximas palavras. — então eu renuncio à empresa.

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