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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 104

DAMIAN WINTER

Meu pai me olhava como se eu tivesse perdido completamente a razão. A luz que entrava pelas janelas mas nenhuma claridade parecia capaz de suavizar a dureza do rosto dele.

— Você está blefando — disse, finalmente, com um sorriso cético. — Não vai abandonar o que levou anos para conseguir. Você não é tão tolo assim.

Cruzei os braços, sustentando o olhar dele.

— Não estou blefando, pai. Se essa cadeira significa mais para você do que os seus netos, fique com ela. Ou entregue para quem quiser. Porque ela não significa nada para mim quando comparada com Stella ou qualquer um dos meus filhos.

Ele estreitou os olhos.

— E para quem eu deveria entregar? Para Elizabeth? Só se eu fosse louco. Aquela garota afundaria a empresa em menos de um ano.

Soltei um riso curto, não era para ser engraçado mas a graça é que eu não poderia discordar dessa afirmação. Para começar acho que ele nem conseguiria fazer a Lizzy aceitar.

— Então passe para um administrador qualquer. Não é da minha conta. Eu estou fora.

— Você não tem ideia do que está dizendo — retrucou ele, a voz mais alta. — Sem a empresa, você não é nada!

Inclinei-me ligeiramente para a frente, apoiando as mãos na mesa entre nós, assim como ele estava fazendo.

— Engano seu. Sou muito mais do que isso. Sou o pai de três crianças incríveis. Sou um homem que aprendeu, do jeito mais difícil, que números não abraçam ninguém à noite. Se para continuar sentado nessa cadeira eu tenho que aceitar que você humilhe a mulher que amo e meus filhos, então… que fique com seu trono vazio.

Meu pai pareceu buscar algo para rebater, mas apenas fechou a boca, o maxilar travado.

De repente, senti que não havia mais nada a dizer.

— Bem — continuei, com um tom calmo que o irritou ainda mais — acho melhor o senhor começar a procurar outro sucessor. Porque amanhã eu não apareço. Aliás, nem hoje. Até mais, pai.

Endireitei os ombros, virei-me e abri a porta sem olhar para trás. Senti o peso daquela sala ficar para trás junto com ele.

O corredor estava tranquilo, como se nada tivesse acontecido. O cheiro familiar do café que vinha da cozinha se misturava ao perfume suave das flores que minha mãe gostava de espalhar pela casa. Caminhei até a sala principal, onde minha mãe estava sentada no sofá, observando Danian brincar com um carrinho.

Ela ergueu os olhos quando me viu.

— Acabou tão rápido? — perguntou, com uma expressão de preocupação e curiosidade.

— Rápido não foi — respondi, soltando o ar que eu nem percebia que prendia. — Mas acabou.

Ela me estudou por um instante, depois sorriu tentando aliviar a tensão.

— Você está bem?

Olhei para Danian, rindo sozinho enquanto tentava empurrar o carrinho por debaixo de um móvel. O som dele era um lembrete de por que eu estava tomando todas aquelas decisões.

104 - Escolha 1

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