DAMIAN WINTER
Fechei a porta do quarto devagar. Apollo e Orion finalmente tinham parado de chorar, estavam com os olhos inchados e os corpinhos pequenos tremendo no meio dos lençóis. Dei boa-noite, prometi que traria o irmão de volta e, quando puxei a coberta sobre eles, senti a força desmoronando um pouco dentro de mim.
Eles acreditaram. Precisavam acreditar.
Cruzei o corredor, forçando cada músculo do meu corpo a manter a compostura. No andar de baixo, Stella me esperava na sala, sentada no sofá com o braço engessado apoiado em uma almofada. O rosto dela estava pálido e os olhos vermelhos como se tivesse lutado para não chorar na frente dos gêmeos.
— Eles dormiram? — perguntou, assim que me viu me aproximar.
— Estão exaustos. — respondi, direto, e fui até a mesa onde os monitores estavam dispostos. — Vão ficar bem.
Sentei, ajeitando um fone no ouvido e entreguei o outro para Stella. Ela se inclinou um pouco para o lado, tentando enxergar a tela.
A tela piscava em verde, um ponto em movimento do pingente no pescoço do meu filho. A gravação de áudio corria em paralelo, captando cada som e cada palavra.
Fechei os olhos por um instante quando a voz do meu filho preencheu meu ouvido.
— Quero meu papai…
Era doloroso ter que acompanhar o sofrimento e o medo dele. Stella pousou sua mão na minha como gesto de apoio.
— Vai ficar tudo bem, garoto. — uma voz masculina, rouca, falou na gravação. — A sua mamãe pediu para a gente te buscar, entende? A mamãe está vindo te ver em breve.
O sangue ferveu nas minhas veias.
Do outro lado do áudio, ouvi o barulho de portas de carro, pneus em movimento. Meu filho fungou, e a vozinha dele veio de novo:
— Mas eu quero meu papai…
Outro sequestrador riu.
— Entendo as reclamações da Sophie, esse pirralho é bem chato. Até eu quero sair de perto.
— Cala a boca. — o primeiro retrucou. — A gente só precisa manter ele aqui por algumas horas. A Sophie Pósitron vai transferir a quantia e acabou.
Sophie Pósitron.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!