DAMIAN WINTER
A visita dos meus pais tinha deixado o clima muito pesado no quarto. Stella fingia indiferença mesmo estando obviamente desconfortável, minha mãe tentava amenizar com sorrisos, mas eu notava bem cada movimento do meu pai e aquele olhar dele, atravessando Stella e os meus filhos, fazendo o ódio me corroer por dentro.
Esperei alguns minutos, até que Danian adormeceu de novo, segurando firme a mão de Stella, como se temesse soltá-la. Minha mãe e ela conversavam. Apollo e Orion estavam sentados num canto, brincando baixinho com um bloquinho de papel que haviam trazido, sem fazer barulho.
Aproveitei a distração deles e me aproximei do meu pai.
— Pai... — minha voz saiu baixa, para que só ele ouvisse. — Vamos tomar um café.
Ele arqueou uma sobrancelha, mas assentiu com um resmungo. Saímos do quarto, deixando minha mãe trocando palavras com Stella e os meninos.
Assim que a porta fechou atrás de nós, segui com passos pesados até a pequena cafeteria improvisada no térreo do hospital. O cheiro de café velho e pão requentado era desagradável, mas servia ao propósito. Pedi duas xícaras, mesmo sabendo que não provaria a minha.
Sentamos frente a frente. O silêncio durou longos segundos, até eu decidir falar.
— Se for para continuar olhando as pessoas que eu amo como está fazendo, WW, vou pedir educadamente que se retire.
Ele me encarou com aquele olhar duro que eu já conhecia muito bem.
— Vai me impedir de ver meu neto? — retrucou, me encarando em desafio.
A xícara diante de mim tremeu um pouco sob meus dedos.
— Você não pareceu tão preocupado com o seu neto. Ficou plantado na porta, sem se aproximar dele nem por um segundo. Parecia mais interessado em sair correndo do que em abraçar o próprio sangue.
Ele apoiou os cotovelos na mesa, os olhos se tornaram ainda mais duros e sua expressão começou a mudar para irritada.
— Eu não preciso demonstrar afeto para me importar. Eu estava lá, Damian. Estava presente. Isso é mais do que suficiente para mostrar que me importo. Não estou agindo como um irresponsável que esquece o que é verdadeiramente importante, como você.
Meu pai nunca vai superar as escolhas que fiz, nem mesmo depois de saber o que Sophie foi capaz de fazer contra o próprio neto.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!