STELLA HARPER
Me arrumar sozinha era um exercício de paciência que eu ainda não dominava. O braço engessado latejava cada vez que eu tentava fazer algo simples, como fechar um zíper ou pentear o cabelo. Ainda assim, eu me recusei a pedir ajuda. Até porque, só quem estava ao redor da casa eram os guardas.
— Mãe, você não precisa se apressar — disse Apollo encostado na porta do quarto. Ele me observava com aqueles olhinhos atentos demais para alguém de cinco anos. — O Dani deve está dormindo, lembra?
Sorri fraco, ajeitando a blusa com a mão livre.
— Eu sei, amor. Mas quero estar lá quando ele acordar.
No corredor, Orion já estava vestido, mexendo no cadarço do tênis.
— Vai demorar, mamãe? — perguntou, sem levantar o olhar.
— Só mais um minuto. — Peguei minha bolsa com dificuldade, ajeitando a alça no ombro. — Vamos logo, não quero que Danian acorde sem ver a gente.
Os meninos se animaram ao ouvir o nome do irmãozinho, correndo até o carro que já estava à espera. Um dos seguranças abriu a porta traseira, ajudando-os a subir. Ele mesmo assumiu o volante, já instruído por Damian a nos levar até o hospital.
Durante o trajeto, os gêmeos falavam ao mesmo tempo, imaginando o que poderiam dar de presente para Danian quando ele voltasse para casa.
— Eu vou dar meu dinossauro verde! — Apollo anunciou, decidido.
— Não, o Dani gosta mais do carro azul! — Orion retrucou, cruzando os braços.
Sorri com os dois, embora meu coração estivesse pesado. Não sabia como Danian estava depois de tudo. Crianças sentem mais do que falam, e ele havia sido sequestrado pela própria mãe, levado para o terror que eu ainda não conseguia processar. Isso nunca me pareceu uma boa ideia, mas Damian tinha certeza que era a melhor chance. Bem, eu acho que ele estava certo, já que Sophie nunca mais prejudicaria ninguém.
Quando chegamos, o hospital parecia ainda mais frio do que eu lembrava. O guarda me ajudou a descer com calma, e os meninos correram alguns passos adiante até que eu os chamei de volta.
— Devagar, meninos. Esse não é lugar para correr.
Eles assentiram, obedientes, e seguimos até a recepção. Bastou eu dizer o nome de Damian Winter para sermos direcionados rapidamente ao quarto.
Empurrei a porta com cuidado. Lá estava ele. Danian parecia tão pequeno na cama grande, com o rosto ainda cansado, mas os olhos brilharam quando nos viu.
— Mamãe! — a voz dele saiu cheia de alívio. — E os manos!
Corri até a cama, ignorando a dor no abdômen. Sentei-me de lado e o abracei com o máximo de cuidado.
— Meu amor... — sussurrei, sentindo as lágrimas subirem. — Você está bem.
Ele agarrou meu pescoço com força, como se tivesse medo de eu sumir de novo. Apollo e Orion cumprimentaram o pai e se aproximaram de Danian, tímidos.
— Oi, Dani... — disse Apollo, baixinho. — A gente veio ver você.
Danian abriu um sorriso pequeno, mas verdadeiro.
— Eu sabia que vocês vinham.
— Claro que sim. — Orion se inclinou, encostando a testa na dele. — A gente é irmão.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!