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Querido chefe, os gêmeos não são teus! romance Capítulo 15

DAMIAN WINTER

— Chega de drama, Stella. Vista-se e esteja no escritório até às nove. — finalizei a chamada antes que ela respondesse, deixando o celular sobre a mesa do camarim.

A maquiagem no meu rosto era sutil, só o suficiente para suavizar o brilho da pele sob as luzes intensas.

Meu pai apareceu atrás de mim no espelho com um sorriso satisfeito, orgulhoso como se eu estivesse prestes a receber uma medalha de honra ao mérito.

— Está pronto? — ele perguntou, ajustando a lapela do próprio paletó.

— Não vejo como isso é diferente de qualquer coletiva. — respondi, seco.

Ele deu uma risada breve.

— Mas é diferente. Você vai anunciar o início de uma nova era para a nossa Winter. E com a Sophie, nada menos que perfeita. O mercado vai reagir bem. A Positron já sinalizou apoio à fusão. Só precisamos manter a imagem.

Sim, só preciso manter essa imagem até Stella engravidar. Está demorando mais do que pensei.

Meu pai fez um sinal com a cabeça para o assistente de palco, que nos guiou até os bastidores do salão principal.

Sophie estava tão perfeita que parecia uma fotografia editorial em carne e osso. Quando me aproximei, ela estendeu o braço, como ensaiado.

Ela sorriu para os fotógrafos, depois para mim.

— Já disse que você é bonito o suficiente para render bons lucros? — murmurou, com aquele tom irônico que me fazia, por algum motivo, respeitá-la.

— E você bonita o suficiente para manter minha família calada. — rebati.

Sophie inclinou a cabeça, satisfeita com minha resposta. Seguimos para o centro do palco. Uma chuva de flashes nos engoliu.

— O senhor Winter vai dar uma declaração. — anunciou o mestre de cerimônias.

Tomei o microfone e fiz o discurso que meu pai escreveu. Disse tudo o que se esperava.

No fim, Sophie segurou minha mão e os fotógrafos capturaram nosso sorriso forçado. Estava feito. O anúncio de noivado estava nos trending topics em menos de uma hora.

[...]

De volta à empresa, meu humor estava pior do que de costume. O carro mal tinha parado na garagem e eu já estava com o celular em mãos, revisando os e-mails. Nenhuma resposta dela.

Será que tinha visto a notícia na televisão?

Provavelmente. Não era como se alguém conseguisse esconder algo hoje em dia. Mas isso a impedia de cumprir com suas obrigações? Não. Ela assinou um contrato. Sabia o que tínhamos. Sabia exatamente qual era seu lugar.

Subi diretamente para minha sala, o andar estava estranhamente silencioso. Stella não estava em sua mesa. Abri a porta do escritório, esperando ouvir o som do teclado dela preparando os compromissos do dia, mas nada.

Joguei o paletó na poltrona e me sentei, irritado. Liguei novamente. Caixa postal. Mandei uma mensagem curta:

Eu: Espero que você tenha um bom motivo para essa ausência.

Apertei o botão de envio e atirei o celular sobre a mesa. Será que ela estava mesmo doente ou estava me desafiando? Talvez ela tivesse visto a notícia do noivado e esteja com raiva.

Deslizei a cadeira para trás e encarei o teto. Meus olhos ardiam de cansaço. A tensão no pescoço latejava. De todas as mulheres que já passaram pela minha vida, Stella Harper era a mais irritante. Talvez porque ela foi a única que durou tempo o suficiente para isso. Afinal, quem se irritaria com a transa de uma noite?

Peguei novamente o celular.

Eu: Se você não estiver aqui até o meio-dia, considere nosso contrato cancelado. Não perca o que mal começou a ganhar.

Apertei enviar e joguei o aparelho de novo. Mas nem esse blefe me convencia. Eu não cancelaria o contrato. Ainda não. Porque, no momento, por mais contraditório que fosse, Stella era a única pessoa com quem eu realmente queria estar.

[...]

O relógio marcava exatamente 19h quando estacionei diante do novo prédio de Stella. O dia inteiro havia se arrastado com uma irritação incômoda crescendo sob minha pele. Ela não apareceu no escritório. Não respondeu nenhuma das minhas mensagens, tampouco retornou minha ligação.

Desliguei o motor, saí do carro e fui até a entrada. Um condomínio era discreto, mas adequado ao nível de vida que Stella deveria manter sendo minha secretária... e mais do que isso. Passei pela portaria sem problemas e subi até o andar dela. Toquei a campainha, esperando que fosse ela quem atenderia. Iria exigir explicações para sua desobediência, mas também queria vê-la.

A porta se abriu alguns segundos depois, revelando uma garota ruiva, de cabelo cacheado, pele clara salpicada de sardas. Os olhos me examinaram com desconfiança e irritação.

— Posso ajudar? — perguntou ela, segurando a porta como se já se preparasse para fechá-la novamente. Essa deve ser a Leah de quem ela tagarelava constantemente.

15 - Ela foi embora 1

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