DAMIAN WINTER
SEIS MESES DEPOIS
Seis meses desde que Stella Harper sumiu da minha vida sem deixar rastros.
Exatos cento e oitenta e dois dias, treze horas, vinte e cinco minutos e… três segundos
Quatro.
Cinco.
Estou parado na porta de casa, encarando o relógio que Sophie me deu, perdido nos números que só me lembram dela.
Depois que Leah me disse que ela tinha ido embora e não voltaria, fiz de tudo para encontrá-la. Coloquei até detetives atrás dela. Nada. Stella desapareceu do mapa com a mesma facilidade com que surgiu.
No trabalho, ainda me pego olhando para o lado da mesa da secretária, mas quem tá lá nunca é ela. A nova secretária? Comete erros que Stella nunca cometeria, mas, estranhamente, eu nem sinto vontade de brigar.
Estou vivendo a fase mais importante da minha vida. Todo mundo me respeita, me teme ou me inveja. E mesmo assim… não sinto nada. É como se tivessem arrancado um pedaço de mim.
Meu pai estava disposto a me deserdar, a empresa precisava da imagem estável de um CEO casado, e minha mãe queria uma nora para carregar nosso sobrenome com dignidade.
Quer saber? Dei a eles o que queriam.
Então, quatro meses atrás, me casei com Sophie Pósitron. Bonita, educada, discreta e, acima de tudo, disposta a qualquer coisa, para manter a imagem que sua própria familia exigia.
Nos casamos há quatro meses. Sophie não era insuportável. Ao contrário, nos tornamos quase amigos. Tínhamos jantares juntos, discutíamos sobre trabalho, éramos colegas de convivência.
São oito da noite.
Olho para a porta da minha casa.
Antes, eu entrava às pressas, puxando Stella pela mão. Hoje? Nem tenho vontade de girar a maçaneta. Sophie não era insuportável. Ao contrário, nos tornamos quase amigos. Tínhamos jantares juntos, discutíamos sobre trabalho, éramos colegas de convivência.
Mas dividir a cama com ela? Não consigo.
Sempre que a vejo no quarto, ouço a voz do meu pai — “Tá na hora de fazer um herdeiro.”
Graça a ele, eu perdi qualquer interesse por sexo por um bom tempo.
— Por que tá aí parado, não vai entrar? — A voz de Sophie me puxou de volta. Ela abriu a porta. Estava coberta de joias, usando um vestido curto vermelho e sexy. Me fez lembrar daquele que tinha comprado para Stella.
— Nada — balancei a cabeça, entrando. — Tem jantar de negócios hoje? A secretária esqueceu de me avisar de novo?
— Não. Quem disse que não posso me arrumar bem só pra ficar em casa? — Ela sorri, liga o toca-discos no canto da sala, e o jazz começa a encher o ar. Pegando duas taças, ela me encara, — Ei, querido… tive um dia horrível no escritório. Me faz companhia?
Aceitei a taça sem pensar. Estava cansado demais, meu dia também não foi bom.
— Só uma, Sophie. — Respondi, tirando o paletó e jogando-o no encosto de uma poltrona.
Ela riu, parecendo leve demais para alguém que teve um dia horrível.
— Duvido que consiga parar na primeira.
Sentei ao lado dela e aceitei o copo que me ofereceu. Ela começou a falar sobre os investimentos da semana, sobre o novo evento beneficente, sobre a renovação do nosso contrato com a imprensa. Eu escutava, mas em pouco tempo só havia ruído.
Na segunda taça, senti o corpo começar a esquentar. Era como se cada músculo estivesse mais solto do que o habitual. Afrouxei a gravata e a joguei no sofá. Sophie continuava falando, agora sobre a viagem para a Riviera no mês seguinte.
Algo estava errado. Fechei os olhos por um instante me sentindo zonzo e uma imagem clara de Stella surgiu em minha frente.
[...]
SOPHIE PÓSITRON
No começo, eu tinha um plano diferente.
Eu tinha amor.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!