DAMIAN WINTER
Naquela mesma tarde a vida pareceu voltar ao eixo.
A notícia de que o assassino de Nathan Ponlic havia sido encontrado se espalhou pela imprensa na mesma velocidade com que tudo desmoronara horas antes. O suposto culpado era um homem que trabalhava para uma empresa de segurança privada, identificado pelas câmeras de uma rua próxima ao local do crime. O veículo dele fora rastreado, e o cara acabou preso antes do meio-dia.
Quando vi o noticiário, senti todo o meu corpo relaxar.
Ao que parece a polícia não era incompetente sempre.
— Viu só? — disse Stella, apoiada na moldura da porta, com um sorriso cansado. — Eu sabia que tudo ia se resolver.
— É, parece que dessa vez o destino resolveu colaborar — respondi, deixando o celular sobre o balcão.
Ela atravessou a cozinha e se apoiou no meu peito, com a cabeça encostada.
— Acho que podemos, enfim, relaxar um pouco — disse ela.
— Podemos — confirmei, passando o braço em volta da cintura dela. — Só por hoje, não quero pensar em nada além de nós.
Ela sorriu, e eu a beijei na testa.
Mais tarde, estávamos os três na sala, com as cortinas meio fechadas e uma luz suave filtrando o ambiente. Danian estava deitado no sofá entre nós, com uma tigela de pipoca no colo. O filme passava na TV, mas nenhum de nós realmente prestava atenção, era só uma desculpa para estar juntos. Os gêmeos ainda estavam na escola, mas quando chegassem íamos dar um passeio juntos.
De tempos em tempos, Stella se inclinava para ajeitar o cobertor sobre Danian, que lutava para não adormecer. Aquela mulher tinha sido o ponto de virada da minha vida, e vê-la ali, me dava uma sensação de pertencimento que eu nunca senti antes.
Por um segundo, pensei que, talvez, depois de tudo, a gente finalmente tivesse encontrado algum tipo de paz.
Mas a paz, eu devia saber, nunca dura muito pra mim.
O relógio marcava pouco depois das três da tarde quando o som insistente de batidas fortes na porta quebrou o silêncio da casa.
Três batidas firmes e sonoras.
Stella se endireitou imediatamente, e Danian se assustou, virando-se para mim com os olhos arregalados.
— Eu atendo — falei, levantando-me devagar.
Pelo som eu já sabia antes mesmo que meus olhos os encontrassem. Policiais.
Caminhei até a porta e olhei pelo olho mágico. Dois agentes fardados e um terceiro de terno escuro esperavam do lado de fora.
— Damian… — a voz de Stella veio baixa, ansiosa. — O que está acontecendo?
Abri a porta, mantendo a postura.
— Senhor Winter? — o homem de terno falou. — Precisa vir conosco.
Revirei os olhos.
— De novo isso? Achei que já tinham prendido o desgraçado que matou o Nathan.
— Sim, senhor. — O policial manteve o tom neutro. — Mas novas provas foram encontradas. Temos um mandado de prisão preventiva. O senhor está sendo acusado de ser o mandante.
Por um instante, o ar me faltou.
— O quê?
— O senhor teria contratado o indivíduo que executou Nathan Ponlic.
Stella apareceu atrás de mim, o rosto empalidecendo em segundos.
— Isso é um absurdo! — gritou. — Damian nunca faria algo assim!
O policial nem piscou.
— Senhora, não cabe a mim discutir os fatos. O mandado foi expedido há vinte minutos. O senhor Winter deve nos acompanhar agora.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!