DAMIAN WINTER
Dentro da viatura estava abafado. A sirene não estava ligada, mas o som do rádio chiando e as conversas curtas dos policiais preenchiam o espaço como uma pressão constante sobre meus ouvidos. Eu mantive o olhar fixo na janela, observando as ruas passando depressa.
Não era a primeira vez que meu nome estampava manchetes, mas era a primeira em que eu não tinha feito absolutamente nada para merecer.
Meus pulsos latejavam sob o metal das algemas, e a imagem de Danian chorando na porta da sala voltava em flashes curtos e dolorosos. Aquilo tinha sido o golpe mais baixo. Algemado na frente dele. Stella gritando. E eu… impotente.
— Senhor Winter, o senhor sabe por que está sendo levado, certo? — perguntou o policial ao meu lado, sem me olhar.
— Já foi explicado — respondi seco. — Mas, pra deixar claro, não matei ninguém, nem mandei ninguém fazer isso.
Ele apenas assentiu, mantendo o olhar no vidro da frente.
Chegamos à delegacia minutos depois. O pátio estava cheio de repórteres. Claro. Eles nunca perdem uma chance de arrancar sangue de quem está caído. As perguntas começaram assim que desci do carro.
— Senhor Winter, o senhor confirma as acusações?
— O senhor tinha alguma desavença com Nathan Ponlic?
— É verdade que o senhor teria mandado matar o rival?
— O senhor nega envolvimento?
Ignorei todas. Segui adiante com a cabeça erguida, mesmo sentindo os flashes queimarem meus olhos. Os policiais me empurraram para dentro do prédio e fui levado para uma sala de interrogatório.
— Pode sentar — ordenou o agente de terno, o mesmo que esteve na minha casa.
Sentei. Ele colocou uma pasta sobre a mesa e tirou de dentro algumas folhas impressas e um pen drive.
— Damian Winter, você está sendo acusado de ser o mandante do assassinato de Nathan Ponlic.
— Já ouvi isso — respondi. — Pule pra parte em que mostram uma “prova incontestável”.
O homem manteve o semblante neutro. Ligou um gravador e apoiou as mãos sobre a mesa.
— O executor, identificado como Douglas Merton, confessou ter recebido uma quantia de cinquenta mil dólares em troca do serviço. O pagamento foi feito em parcelas através de contas falsas, que, segundo o rastreamento, teriam ligação indireta com a sua empresa.
Soltei uma risada curta e seca.
— “Ligação indireta”? Eu nem trabalho mais na Winter e Isso é o suficiente pra mandar alguém preso agora?
— É o suficiente pra justificar uma prisão preventiva — rebateu ele, sem se alterar. — O senhor também foi visto em contato com Merton há três semanas.
Ergui as sobrancelhas.
— Contato?
— O sistema de câmeras de um restaurante no centro registrou vocês dois no mesmo local, com um intervalo de vinte minutos.
— Jesus... — passei a mão no rosto, exasperado. — Eu almoço naquele restaurante várias vezes por semana. Quer dizer que, se um assassino passou por lá, eu virei cúmplice agora?
Ele não respondeu.
— Quer saber? — continuei, inclinando-me sobre a mesa. — Podem vasculhar o que quiserem. Meu celular, computador, registros bancários. Se eu tivesse mandado alguém matar Nathan, você acha mesmo que teria sido burro o bastante pra que aquele assassino soubesse meu nome?
— O senhor tinha motivos — retrucou o homem, frio. — Nathan e você obviamente tinham inimizades e o senhor o ameaçou de morte na frente de muitas pessoas.
Revirei os olhos.
— Já ouvi essa história antes. Não vamos chegar a lugar nenhum dessa forma.

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