STELLA HARPER
Acordei de repente. Não sabia por quê. Talvez o frio, talvez o instinto. Tateei ao redor percendo que o lado da cama ao meu lado estava vazio. Abri os olhos devagar, pisquei algumas vezes tentando ajustar à penumbra, e estendi a mão sobre o lençol. Frio. Ele já não estava ali há algum tempo.
Suspirei. Damian vinha fazendo isso com frequência. Desde que tudo começou, ele estava obcecado em resolver o que aconteceu e esquecia que dormir era uma necessidade básica do ser humano. Sei lá, talvez ele esquecesse que era humano. O "robô" Winter estava ativo novamente.
Me sentei na cama, ajeitando o braço engessado, e senti uma pontada no abdômen ao me levantar. Ignorei. Peguei o robe pendurado na cadeira e o vesti por cima da camisola antes de sair do quarto.
A casa estava silenciosa, mas uma luz escapava por baixo da porta do escritório. Caminhei até lá, com os pés descalços fazendo pouco ruído sobre o assoalho frio.
Quando abri a porta, ele estava lá, sentado à mesa, com o laptop aberto, o rosto iluminado pela tela e a expressão concentrada e rígida que não me viu de imediato. Tinha os olhos presos no monitor, a mandíbula cerrada, como se estivesse vendo algo de que não gostava.
— Damian… — chamei baixinho. — Ele se sobressaltou e virou o rosto na minha direção. O olhar dele era frio e perdido ao mesmo tempo. — Por que meu lindo noivo não está dormindo ao meu lado? — perguntei, tentando soar divertida.
Ele fechou o laptop devagar e recostou-se na cadeira.
— Não consegui.
Cruzei o cômodo e parei atrás dele, pousando a mão boa em seu ombro.
— Quer me contar o motivo?
— Não é nada. — respondeu baixo.
Suspirei, passei os braços em volta dele e o beijei de leve no topo da cabeça.
— Amor, você esquece que é impossível mentir pra mim?
Ele não respondeu. Permanecia imóvel, respirando fundo. Me afastei, andei ao redor dele e me abaixei até sentar em seu colo, forçando-o a me olhar.
— O que foi que aconteceu?
Os olhos dele se ergueram para mim, e o brilho que encontrei neles me fez gelar. Raiva. Muita raiva.
— Eu descobri quem estava por trás das transferências. — disse, por fim.
— E...?
Ele inspirou fundo.
— Célia Pósitron.
Demorei um instante pra entender.
— Pósitron? — murmurei, confusa.
— A mãe da Sophie.
— Mas... por quê? — perguntei, incrédula. — O que ela teria a ganhar com isso?
Damian desviou o olhar por um momento, encarando a madeira escura da mesa.
— Não sei. Talvez... vingança.
— Vingança? Pela morte da filha?
— É o que parece mais óbvio. — respondeu, amargo. — Mas isso não faz sentido, Stella. As transferências começaram a ser feitas antes de Sophie morrer. Ela começou a planejar isso antes mesmo de perder a filha.
— Você acha que ela queria matar Nathan e te culpar desde o começo? — perguntei.
Ele soltou um riso sem humor.
— Acho que ela queria o que todo mundo sempre quis de mim. Me ver cair. Eu fui o marido que não amava a filha dela, o homem que ela achava que havia destruído o casamento perfeito que a filha dela inventou na cabeça. E agora, eu era o responsável pela morte de Sophie.
— Damian... — sussurrei, tocando seu rosto. — Não fala assim.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido chefe, os gêmeos não são teus!