DAMIAN WINTER
Peguei o carro e dirigi até o escritório de Elliot. Durante todo o trajeto, minha cabeça repassava as informações e as medidas que poderia ou teria que tomar.
Eu não podia errar.
Quando cheguei, Elliot já me esperava. Estava encostado à mesa, com a camisa social arregaçada até os cotovelos, a gravata pendendo frouxa e uma pilha de documentos espalhada ao redor.
— Está parecendo que passou a noite acordado — comentei, fechando a porta atrás de mim.
Ele me lançou um olhar cansado, mas determinado.
— Mais ou menos isso. — Apontou para o monte de papéis. — Consegui cruzar os dados das movimentações suspeitas. Todas as transferências foram mascaradas com contas fantasmas criadas no mesmo dia do assassinato de Nathan. A assinatura digital é do Maycon Bartol, mas também temos provas das transações entre ele e Célia Pósitron.
Parei diante da mesa, observando as páginas. Números, códigos bancários, carimbos de autenticação. Tudo ali, à mostra.
— Isso é o suficiente para a polícia começar a ouvir. — afirmei.
Elliot assentiu.
— É. O delegado já está esperando a gente. Consegui marcar pra uma hora da tarde.
Peguei o dossiê e o verifiquei.
— Então, vamos terminar isso o quanto antes.
[...]
A delegacia era um prédio antigo, com paredes descascadas. Fomos recebidos por uma secretária que nos conduziu até a sala do delegado. Ele nos esperava e seu olhar pousou em nós assim que cruzamos a porta.
— Senhores Winter e Elliot, certo? — perguntou, ajustando os óculos no rosto.
— Isso. — respondi. — Temos informações que podem mudar o rumo do caso do meu pai.
Ele assentiu brevemente e gesticulou para que sentássemos.
— Estou ciente da situação. — Disse, folheando os papéis que Elliot havia entregue antes. — Então é verdade que as transferências saíram da conta da empresa para o assassino de Nathan?
— É. — respondi. — E a responsável direta é Célia Pósitron. Ela usou o vice-diretor, Maycon Bartol, para disfarçar as transações.
O delegado leu o dossiê em silêncio por alguns segundos. Depois pousou o olhar em mim.
— Não vou perguntar por que seu pai confessou um crime que não cometeu. Isso é algo que ele vai ter que explicar a um juiz. Mas o que vocês trouxeram é sólido.
Isso já era esperado, não vamos fugir da responsabilidade.
— E o senhor vai reabrir o caso?
Ele inclinou-se para a frente.
— Vou dar a você uma chance, Winter. — disse, com um tom que misturava desafio e prudência. — Se conseguir uma confissão dela, a gente reabre oficialmente. Vamos seguir o plano que Elliot contou sobre conseguir a confissão com escutas.
Elliot interveio:

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